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O SUBDIMENSIONAMENTO DOS TREINOS NAS ACADEMIAS E A AUSÊNCIA DE RESULTADOS

Bruno Pieske

Se tem uma coisa que noto e não é recente, é a importância exacerbada dada a exercícios mono articulares, tanto com pesos livres quanto com máquinas, estas que limitam mais ainda os movimentos, promovendo menores ganhos de mobilidade e força.

Figura 1 – Rosca martelo

Se por um lado a “musculação massificada” está cada vez mais “automatizada” onde se coloca pessoas em cima de máquinas, temos o feliz aparecimento ou seria renascimento de métodos chamados funcionais nos quais se exploram os movimentos humanos em sua totalidade. Mobilidade articular, força, agilidade, potência, endurance, hipertrofia são amplamente exploradas e vivenciadas de forma individualizada.

O que não deixa de ser peculiar é que, justamente a musculação foi a base para todos esses novos treinamentos, ela literalmente é mãe deles. Agachamentos, levantamentos terra, arranques, arremessos, desenvolvimentos militares, supinos, enfim, todos os movimentos de puxar e empurrar, sejam eles na vertical ou horizontal, amplamente utilizados e explorados nos treinamentos funcionais, são “filhos legítimos” da musculação!

Mas por que não há essa exploração em escala similar nas grandes salas de musculação das academias? Alguns dirão que o potencial lesivo deles é alto. Rebato dizendo que qualquer treinamento ou atividade física apresenta seus riscos. O porém da questão é que, quanto mais complexos os movimentos, maior precisa ser a orientação e supervisão para minimizar os riscos e, convenhamos, quais grandes redes de academia “low cost” podem oferecer isso com a política de preços praticadas por elas?

Figura 2

Logo torna-se imperativo a prescrição de exercícios simples, geralmente feitos em máquinas, que possam ser rapidamente passados e automatizados sem grandes períodos de adaptação e aprendizado. A questão é que tais exercícios têm baixo impacto fisiológico, gerando pouco ou nenhum resultado significativo. Convenhamos, não é preciso conhecimento apurado de biomecânica e fisiologia para deduzir que um exercício “de braço” isolado como a rosca scott na máquina, que engloba praticamente só o bíceps braquial terá muito menor impacto do que outro exercício “de braço” multiarticular como a remada curvada com a barra (Fig. 2), que engloba além do bíceps braquial a grande dorsal, o trapézio e também todos os músculos estabilizadores do tronco. Sem mencionar que a carga utilizada é muito maior, o que por si só já significa que há maior produção de força, maior consumo de oxigênio e consequentemente maior gasto calórico.

Como podem ver, todos os benefícios que a maioria das pessoas que procuram academias querem, estão nos exercícios compostos, multiarticulares com pesos livres e não em exercícios simples como “rosca direta” e “glúteo 4 apoios”. Que fique claro que não condeno estes últimos, apenas aponto que eles não podem e nem devem ser a base de qualquer treino de hipertrofia e força. Eles podem sim ser utilizados, porém devem ser prescritos com volume e intensidade adequada. Por exemplo, um indivíduo hipotético que treina 3 vezes por semana e tem cerca de uma hora por dia disponível para seu treino não precisa, aliás, nem deveria despender tempo precioso de treino com exercícios “isolados” para músculos pequenos a não ser que seja para fins terapêuticos.

Um último adendo, quanto maior a massa muscular utilizada durante o treinamento, maior será a produção natural de testosterona, o hormônio responsável pela síntese proteica/ganho de massa magra.

Atribuição da imagem de capa

  Bruno L. Pieske de Abreu

- Licenciado e bacharel em Educação Física

- Especialização em gestão e marketing na área de saúde
- Personal trainer
- Entusiasta e praticante do fisiculturismo natural e ciclismo amador, low-carber desde a infância

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