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O envelhecimento de crianças

José Carlos Brasil Peixoto

Um dos argumentos que pode ser sustentação em defesa do estilo de vida moderno costuma ser a longevidade. Mas parece que esse estilo de vida chegou ao ápice de suas indesejáveis consequências: boa parte das crianças nascidas a partir das últimas décadas podem viver menos que seus pais. Pelo menos isso foi uma das conclusões que um sombrio artigo da respeitada revista Time revelou na edição de 03 de março desse ano (2014).

Esse longo artigo intitulado Young Kids, Old Bodies (Jovens Crianças, Corpos envelhecidos) versa sobre uma novidade para os pediatras: cuidar de doenças típicas de pessoas maduras, em crianças e adolescentes.

Figura 1 – Kimberly Rhodes fotografada na sexta-feira, 3 de janeiro de 2014, na sua residência em Boardman, Ohio por Katherine Wolkoff para TIME – foto original do site da revista

O texto começa falando sobre o resumo da ficha médica de Kimberly Rhodes, típico de uma americana do século XXI: ganho de peso acentuado, resistência à insulina, o que a deixa pré-diabética, fígado com camadas de gordura, a esteatose, que pode levar a cirrose, estando com alterações nas enzimas produzidas pelo fígado, e sua pressão já está nos limites. Ela já está em tratamento por um clínico de família, um gastroenterologista e um endócrino, mas se a pressão continuar a subir pode precisar de um nefrologista. Medidas típicas para dois terços dos americanos que estão com sobrepeso ou obesidade.

Mas Kimberly tem 13 anos!

Ela é um retrato de um pesadelo norte americano, um exemplo de uma geração que tem uma expectativa de vida menor do que seus pais. Além dos riscos de doença cardíaca, diabetes e acidente vascular cerebral, ela tem o dobro de chance de ter alguns tipos de câncer e com menos chance de sobreviver.

Mas essas crianças não estão simplesmente com doenças de adulto. Estão fisicamente se tornando adultas antes da hora. Seus cromossomos já mostram sinais de desgaste tanto quanto de pessoas muito mais velhas. Seus tecidos mostram danos típicos de pessoas mais velhas. Suas células mostram inflamação e estresse oxidativo. Milhões de crianças do ensino médio já estão tomando medicamentos que não foram previstos para uso antes dos 40 anos.

Ainda assim esses tratamentos podem não restaurar plenamente a saúde.

E a obesidade pode não ser o único problema. Pesquisadores tem aprendido mais sobre o impacto do estresse sobre a bioquímica, além dos efeitos de agentes ambientais, como poluidores e químicos de ocorrência natural que atuam como hormônios.

O artigo prossegue falando alterações laboratoriais em exames de sangue crianças. Cita também que a esteatose (fígado gorduroso não alcoólico) é o problema mais comum desse órgão entre crianças americanas podendo estar afetando 11% delas daquele país.

A obesidade leva a um processo inflamatório. E essa inflamação leva a um processo generalizado de envelhecimento.

Adiante no mesmo artigo são descritas as dificuldades relacionadas ao manejo com medicamentos pelos pediatras, e da aparente limitação dos recursos de mudança de hábitos de alimentação e atividade física.

Esse texto pode ser lido na íntegra no site do “La veu d’Africa” nesse link.

Bem, a questão da obesidade e do envelhecimento precoce é um tema médico bem palpitante.

Provavelmente, se integramos a reconhecida problemática do elevado consumo de carboidratos, do excesso de consumo de frutose, da falta de consumo de gorduras de boa qualidade, da falta de respeito ao ciclo do sono, e da vida sedentária já percebida entre as crianças, podemos facilmente compreender como chegamos a essa embaraçosa situação.

Fica a dúvida se a maioria da sociedade está disposta a revisar seus hábitos e levar a sério a sucessão de notícias que tem mostrado que as diretrizes dietéticas assumidas como saudáveis nas últimas décadas estão levando os nossos filhos a participarem de um triste cenário que se assemelha a uma série televisiva apocalíptica.

É possível que uma alimentação com baixo teor de carboidratos – bem supervisionada, possa ser a melhor escolha para promover a saúde de nossos filhos e oferecer uma vida madura mais promissora. Associado é claro a outras estratégias de mudança de estilo de vida. E num primeiro momento isso tudo poderá parecer um pouco trabalhoso. Mas valerá a pena!

 

 

José Carlos Brasil Peixoto​​​

   - Médico especialista em homeopatia
   - Criador do site Uma outra visão
   - Proprietário do site Lipidofobia
   - Ativista e palestrante de temas de saúde    especialmente no campo da alimentação baseada no consumo de alimentos e gorduras tradicionais  associado à redução de carboidratos

      

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