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A importância de termos mais flexibilidade metabólica

DIVA OSÓRIO

Flexibilidade metabólica é a nossa capacidade de utilizar diferentes fontes de combustível e combinar a oxidação desse combustível com a disponibilidade do mesmo. Ou seja, seu corpo consegue metabolizar bem qualquer tipo de combustível que esteja disponível no momento, seja ele carboidrato ou gordura, e você tem a habilidade de alternar entre esses combustíveis de acordo com a sua disponibilidade.

Alguém que tem ótima flexibilidade metabólica consegue utilizar carboidratos como energia, quando come carboidratos, e também consegue utilizar gordura como energia, quando come gordura. Além disso, consegue produzir energia a partir das suas próprias reservas internas de gordura, queimando sua própria gordura como energia.

Essa pessoa consegue alternar entre o metabolismo de carboidratos e de gordura com certa facilidade. Você já ouviu falar que tem pessoas que conseguem comer qualquer coisa e ficam bem, independente do que comam?? Todas essas pessoas que comem “o que elas querem” provavelmente tem ótima flexibilidade metabólica.

Então, por que isso é importante? 

Há muitos motivos pelos quais seria vantajoso otimizar a nossa flexibilidade metabólica. Primeiro, conseguiríamos de forma eficiente e segura utilizar uma ampla variedade de nutrientes. Com flexibilidade metabólica, conseguimos comer uma batata doce roxa e um pedaço de picanha cheio de gordura.

Conseguimos acessar diferentes fontes de combustível para abastecer diferentes atividades.

E o mais importante nisso tudo é que podemos confiar no nosso corpo. Quanto mais metabolicamente flexível somos, menos temos que nos preocupar minimamente com administrar ingestão de calorias, macronutriente e micronutrientes. Podemos simplesmente comer, e desde que continuemos o consumo de comida de verdade, nossos sinais de saciedade normalmente serão precisos e confiáveis.

Mas não entenda errado. Claro que isso não significa que calorias não importam e que você pode sair por aí comendo qualquer coisa. Assim mesmo, conseguiríamos sobrecarregar o nosso sistema se comermos um cheesecake inteiro, por exemplo, independentemente do quão flexível seja seu sistema metabólico. Por isso, enfatizei acima o consumo de comida de verdade. Porém, temos mais flexibilidade. Mais espaço para tentativas e erros.

E a inflexibilidade metabólica?

Ser inflexível, metabolicamente falando, pode causar consequências negativas, como por exemplo:

  • Você fica sonolento depois de comer carboidratos
  • Você não consegue ficar 5 horas sem comer entre as refeições
  • Você fica sonolento depois do almoço
  • Você tem que lanchar para manter seus níveis de energia
  • É difícil jejuar, e se você ainda assim conseguir sustentar o desconforto, seus resultados são ainda piores do que esperava e você pode ter perdido músculo enquanto perdeu muito pouca gordura
  • Você não consegue funcionar sem estimulantes como cafeína e chás

O que causa a inflexibilidade metabólica?

Há duas maiores fontes de preocupação. Primeiro, a sua mitocôndria está prejudicada. Mitocôndrias são os geradores de energia das células. São estruturas que processam alimentos (combustível) em energia utilizável. Quanto menos mitocôndrias você tem, e o quanto menos funcionais elas estão mais prejudicadas estará a sua produção de energia e menos flexibilidade você terá.

Pessoas com inflexibilidade metabólica tem menos mitocôndrias em seus músculos. Um estudo* em 2007, que analisou biópsias em pessoas metabolicamente flexíveis e inflexíveis, concluiu que as que eram flexíveis tinham densidade mitocondrial muito maior e queimavam mais gordura como energia, em uma dieta de alta gordura. *http://diabetes.diabetesjournals.org/content/56/3/720.long

Pessoas com flexibilidade metabólica reduzida tem disfunção mitocondrial e produzem menos energia. Se a sua mitocôndria está sujeita a muito estresse oxidativo, não funciona bem e não produzirá tanta energia.

Dessa forma, a habilidade de alternar entre fontes de combustível é muito reduzida. Você não consegue acessar suas reservas de gordura interna de forma eficiente e fica praticamente impossível não depender de lanches. E se você não está utilizando o combustível que está consumindo, está contribuindo para excesso de energia, que provavelmente é a mais fundamental causa de resistência à insulina.

A reação natural do corpo ao excesso de energia é se tornar resistente à insulina. Isso faz sentido quando você entende que o propósito final da insulina é conduzir energia às células. Se já há muita energia circulando, a última coisa que seu corpo precisa é colocar mais energia para dentro. Dessa forma, seu corpo desativa a sensibilidade à insulina, e aí é aonde muito do problema começa.

Se você se torna resistente à insulina, será mais difícil queimar carboidrato (glicose) como energia e armazenar glicogênio, e sua habilidade de queimar sua própria gordura estará ainda mais prejudicada.

Pense nisso: você come uma batata doce e suas células não estão respondendo à insulina, daí você precisa de mais insulina só para transportar esse açúcar para o músculo e queimá-lo como energia. Você comeu uma batata doce, a sua insulina está elevada por horas, e são horas que você não está queimando gordura. Você come uma batata doce e tem um pico de insulina porque suas células estão tão resistentes que precisam de doses cada vez mais altas para fazer o que devem fazer.

É um caso de má função mitocondrial e resistência à insulina.

O que pode ser feito?? 

Como melhorar sua flexibilidade metabólica:

Primeiro, faça atividade física.

Você provavelmente já ouviu falar que não tem como “malhar por cima de uma dieta ruim”. É verdade, mas é mais do que isso. Quem você acha que vai conseguir utilizar melhor as diferentes fontes de combustíveis que consumimos, como gordura e açúcar? O sedentário que passa o dia no sofá ou o que vai para academia e tem mais sensibilidade à insulina?

A prática regular de exercícios, tanto de força como aeróbio, diretamente ataca a inflexibilidade metabólica. Temos o aumento da sensibilidade à insulina e conseguimos restaurar a nossa habilidade de queimar gordura como energia. Alguns tipos de exercício, como intervalado em alta intensidade e aeróbio longo de baixa intensidade, na verdade conseguem até aumentar a biogênese da mitocôndria, ou seja, aumentar a criação de nova mitocôndrias.

Depois, torne-se adaptado ao metabolismo de gordura. Isso acontecerá através da alimentação e irá melhorar a sua função mitocondrial, melhorando a sua habilidade de utilizar gordura como energia, e aumentando ainda mais a biogênese mitocondrial. A alimentação low carb e keto (cetogênica) seria o ideal para te ajudar nessa fase.

E depois, como medir sua flexibilidade??

A medida que você perceber que já consegue passar mais tempo entre as refeições sem fome, que não precisa mais fazer tantos lanches, que sua função cognitiva melhorou, você tem mais energia durante o dia e não precisa tirar aquela soneca todos os dias após o almoço, consegue acordar e está sem fome de leão, naturalmente consegue jejuar por mais tempo, está treinando melhor e percebe que consegue utilizar melhor a comida de consome…Parabéns, você está no caminho certo!

Quanto mais tempo você continuar no estilo de vida que aumente e melhore a sua flexibilidade metabólica, mais você irá perceber os benefícios!

É a vida ancestral, que nos ensina a cada dia o que já nascemos sabendo, porém esquecemos: como viver! De forma natural. De forma ancestral.

(Baseado em artigo no Marks Daily Apple: https://www.marksdailyapple.com/definitive-guide-to-metabolic-flexibility/)

Autora:

Diva Osório – Diário Paleo

 

Outros textos da autora:

https://saudeancestral.com.br/2018/08/ferias-e-agora/

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