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Musculação não é esporte e porque é importante entender isso

Felipe Piacesi

 

Pratique esportes! É o que todo profissional da saúde recomenda. Mas o que é esporte? A definição é ampla, mas basicamente, esportes, e aqui eu excluo o xadrez  😅, envolvem movimentos físicos, técnicas que favorecem o desempenho, regras, presença de adversário, algum grau de competição e objetivos. Objetivos que podem variar bastante, desde pontuar de diversas formas a saltar mais alto, correr e nadar mais ou mais rápido. Enfim, temos incontáveis esportes no mundo. E junto com a recomendação “pratique esportes”, recebemos o alerta “cuidado! Esportes são lesivos”. De fato, há esportes cujo risco de lesão é praticamente iminente, como nos chamados esportes radicais.

Com base nessa máxima, alguns treinadores de CrossFit defendem os riscos da prática de sua modalidade alegando que “todo esporte é lesivo, isso não é uma exclusividade do CF”. Verdade, o índice de lesões por horas praticadas no CF é inferior aos encontrados nos “inocentes” futebol e basquete. Mas ainda assim, segundo dados levantados por Siewe (2014) e Hak (2013), crossfiters se lesionam 13 vezes mais na prática da modalidade do que bodybuilders.

Obviamente que praticar CrossFit, rafting, jogar futebol, fazer Muay Thai ou correr maratonas envolve sensações, prazeres e sentimentos que só o esporte proporciona. Mas creio que a questão da saúde das articulações, ossos, músculos e física de maneira geral também pese na hora de escolher ou se manter numa atividade física. E como profissional da saúde, é meu dever explicar que graças a deus, musculação NÃO é um esporte. “Como assim? Qual a vantagem nisso?”

Musculação é uma modalidade de preparação física, que é implementada visando diversos e variados objetivos, sem que se enquadre na categoria de esporte. “Pera, mas e o bodybuilding?” Bem, o bodybuilding é uma modalidade competitiva (concurso estético 🙊) que usa a musculação como um meio para conseguir a hipertrofia necessária para competir. Aliás, em basicamente todos os esportes a musculação entra como meio de preparação física para competir melhor ou minimizar os riscos de lesões. Ou seja, serve pro fisiculturista ficar giga, pro jogador de futebol aumentar a potência muscular, pra mina do MMA aumentar a força, pra melhorar a sensibilidade à insulina do seu pai, pro #ProjetoVerão da sua prima e pra sua avó conseguir levantar da sala e ir ao banheiro sozinha.

Bem, por não ser um esporte, a musculação apresenta um risco de lesão muito inferior ao das modalidades mais comuns. Exatamente porque não há competição, não tem que erguer mais peso para vencer ninguém, não há que fazer centenas de repetições em um tempo determinado, os movimentos são intencionalmente lentos, não tem que saltar, agarrar, rolar no chão, bloquear, roubar a bola ou nocautear o adversário. Não há adversário! Não precisa pular em cima de uma caixa alta, nem ficar de cabeça pra baixo, não precisa fazer pirueta, agachar sobre uma superfície instável, não precisa fazer barra livre parecendo uma lagartixa epilética, escalar paredes inclinadas, não tem ninguém botando pilha pra fazer mais rápido a série…  Não tem equipe, não tem pressão. Seu desempenho não influencia outras pessoas. Não tem torcida! Ninguém vai comemorar ou vaiar o seu supino. O Galvão Bueno nunca irá narrar musculação.. Já pensou que bizarro seria: “Que rrrrrrrrrrrosca direta foi essa, Arnaldo!?”

Além disso, toda a prescrição de um treino de musculação é feita com base em suas possibilidades e realidade. Não consegue fazer o exercício X? Há uma dezena de opções. A progressão é segura, calma e organizada. Não consegue executar bem com 3 kg? Tentaremos com 2 ou 1 kg ou trocaremos o exercício. Mesmo os movimentos mais complexos da musculação são atividades físicas corriqueiras como empurrar, puxar e agachar, “Ah, mas é chato pra caramba”. É! Mas faz um bem absurdo pra sua saúde e não te machuca como a maioria dos esportes. Abraços.

 

Referências:

Int J Sports Med. 2014 Oct;35(11):943-8. doi: 10.1055/s-0034-1367049. Epub 2014 Jun 2.

Injuries and overuse syndromes in competitive and elite bodybuilding.

Siewe J1, Marx G1, Knöll P1, Eysel P1, Zarghooni K1, Graf M2, Herren C2, Sobottke R2, Michael J3.

J Strength Cond Res. 2013 Nov 22

The nature and prevalence of injury during CrossFit training.

Hak PT1, Hodzovic E, Hickey B.

 

Autor:

Felipe Piacesi – Treino Qualitativo

  

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