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Treino para homens, treino para mulheres, existe diferença?

Bruno Pieske

Quantas vezes eu já não ouvi coisas do tipo, monte um treino feminino para minha mulher e um treino para homens para mim!? Nessas quase duas décadas de atuação nas academias já expliquei muitas vezes que as diferenças fisiológicas entre homens e mulheres não são grandes o bastante para que se caracterize um treino masculino e outro feminino.

Respeitadas as diferenças hormonais, principalmente no tocante ao ganho de massa muscular, onde a testosterona, em média 15 vezes maior no homem do que na mulher, é promotor da síntese proteica muito maior, a resposta ao treinamento é praticamente a mesma, portanto todos os exercícios que se aplicam ao homem, se aplicam à mulher.

É claro que os objetivos podem variar, principalmente no tocante às aspirações estéticas. Homens buscam braços e peitorais avantajados enquanto mulheres procuram glúteos e coxas hipertrofiadas. Provavelmente é nisso que as pessoas costumam se referir quando dizem que o supino é “exercício pra homem” e o agachamento “exercício para mulher”.

Levando em consideração tal cenário, as academias têm filas enormes de homens no supino nas segundas feiras e de mulheres no leg press.

O que as pessoas, mesmo aquelas em busca da estética deveriam ter ciência é de que dificilmente terão um desenvolvimento pleno das partes que pretendem “melhorar” se apenas treinarem as mesmas.

Um homem que só treina membros superiores jamais terá a hipertrofia máxima, pois nunca terá explorado exercícios como o agachamento, este que por mobilizar cerca de 1/3 da musculatura corporal total, é um estimulante da produção de testosterona, o tão famoso hormônio anabólico.

Mulheres que só passam seu tempo no leg press, no agachamento e em todas as cadeiras possíveis para os membros inferiores de uma sala de musculação também nunca atingirão o desenvolvimento pleno, pois não terão um core, um tronco e membros superiores fortes o bastante para suportar muitos dos exercícios para membros inferiores, considerados importantíssimos  para seu desenvolvimento máximo.

Como uma mulher com pouca força nos braços fará um terra, um stiff, um agachamento cálice, um afundo com halteres, um bom dia, todos estes com cargas altas o bastante para estimular a hipertrofia de glúteos e pernas? Todos esses exercícios exigem e muito o suporte dos grupamentos musculares dos membros superiores.

De modo global, tanto para o homem, quanto para a mulher, o ideal é trabalhar sempre a força do centro para as extremidades, fazendo analogia à uma construção, não há prédio forte em um alicerce ruim. O core precisa estar fortalecido para depois podermos trabalhar as extremidades.

Foquem no core e em exercícios compostos, os multiarticulares, tanto para membros superiores quanto para inferiores. Crie uma base forte com os agachamentos, o terra, o stiff, as remadas, os desenvolvimentos, os supinos e só depois complemente com exercícios simples, os monoarticulares como as flexões de cotovelo e de quadril, cujos representantes para o sexo masculino e feminino são respectivamente a rosca direta e o glúteo 4 apoios.

Estes deveriam ser incorporados na rotina de treinamento somente depois da base já ser extremamente forte e mesmo assim como complementares, nunca como principais.

Mesmo porque é perfeitamente possível desenvolver um bíceps hercúleo apenas com puxadas e remadas e um glúteo maciço apenas com agachamentos. E o melhor de tudo, trabalhando o corpo de uma forma harmoniosa e global, minimizando o risco de lesões.

 

Autor:

Bruno L. Pieske de Abreu

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