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Jejum – um pouco mais sobre OU Como a corrida pode explicá-lo

Danilo Balu

 

*escrevo o texto abaixo em um jejum que já dura pouco mais de 48 horas. No período fiz caminhadas, 3 reuniões, e bebi apenas água, café e – não contem a ninguém – um pouco de refrigerante zero. Meu professor de Nutrição na faculdade, que não pratica nem jejum, nem musculação, nem estuda, diz que estou perdendo músculos e raciocínio. Ao terminar a leitura, acho que você entenderá mais do processo do que ele jamais entenderá.

 

O profissional ou interessado no assunto que quer entender o jejum como abordagem precisa saber de duas coisas:

1. Ele é o melhor jeito não-medicamentoso de baixar nossos níveis de glicemia e de insulina. *Falarei mias à frente.

2. Tendo o TEMPO como a variável mais robusta de segurança, temos que lembrar sempre que o Jejum é a intervenção médica e nutricional mais antiga, mais praticada (por BILHÕES de pessoas) e há mais tempo testada (centenas de milhares de anos) em toda a nossa história. *esse item 2 servindo como mata-burros já prendendo aqui os profissionais de saúde que dizem que o jejum na saúde oferece riscos.

 

JEJUM COMO ABORDAGEM

Jejum Intermitente não é Nutrição. Sua definição é ser uma abstinência voluntária de alimento. Ou seja, não confundir com o “starvation” dos prisioneiros de guerra, que não sabiam quando voltariam a comer, e que permite o consumo de líquidos não-calóricos (que por definição não são alimentos).

 

SOMOS ONÍVOROS, ANIMAIS QUE FAZEM JEJUM

Somos nós humanos animais onívoros. Adeptos da Dieta Carnívora ou Vegetariana negam a realidade por opção, é um direito que lhes cabe. Mas há um custo.

Todo animal carnívoro tem uma intermitência da oferta de seus alimentos. Pense em um Leão ou mesmo um Tubarão: eles NÃO sabem nem têm como definir quando será sua próxima refeição. A natureza por milhões de anos permitiu que animais assim façam jejum.

Já animais herbívoros (uma Zebra ou uma Girafa) têm uma linearidade, constância na oferta de alimentos. Eles não fazem jejum. Assim foram moldados.

Sendo onívoros, ao contrário dos herbívoros, somos submetidos a uma intermitência de oferta de alimentos de origem animal, uma característica intrínseca à nossa espécie. Mais. No tempo biológico de nossa existência a agricultura entrou muito recentemente. Por não digerirmos mais de 99% das espécies vegetais (mas podemos consumir 99% dos alimentos de origem animal) é que domesticamos os grãos e muito mais recentemente anabolizamos nossas frutas.

A ideia do jejum é a de tentar replicar aquilo a que fomos submetidos ao longo de toda nossa história evolutiva: a intermitência na oferta de alimentos.

 

ESCASSEZ vs ABUNDÂNCIA

A modernidade e a industrialização fez surgir oferta sem igual daquilo que nos gera enorme prazer: drogas, álcool, sexo, jogo… e comida e açúcar. A ideia do Jejum é tão somente replicar aquilo que nos fez “chegar até aqui” como espécie. Comer (Nutrição) será sempre mais gostoso e confortável do que Não-Comer (Jejum). Assim como o Descanso será sempre mais gostoso/confortável do que o Exercício. Ambos se fazem útil. Ambos se fazem saudáveis. Ambos se fazem seguros.

*Aquele que diz não fazer jejum porque não gosta de ficar sem comer tem uma certa obrigação lógica por parar de fazer exercício, parar de trabalhar, de acordar cedo, de pagar suas contas… Você não faz nada disso apenas porque quer, mas porque precisa fazê-lo.

 

E CHEGAMOS À CORRIDA

Eu não sei o quanto você conhece sobre corrida. Digamos que você deseja fazer uma prova de 15km (a São Silvestre, por exemplo). Se você um dia quiser correr “Bem” (com B maiúsculo mesmo), você irá fazer alguns treinos correndo distâncias mais curtas, porém bem mais rápido; uns dias correrá poucos quilômetros; em outros muitos e em outros dias mais do que 15km!

Nenhum treinador jamais dirá que um treino de 10km em ritmo leve todos os dias é igual a um treino variado AINDA QUE a somatória dos KMs ao final do período seja maior. A isso chamamos de “quebra de homeostase”. É a não-linearidade aplicada ao treinamento esportivo.

A CORRIDA NÃO É LINEAR

O ESPORTE É SOBRE EXTREMOS

A NUTRIÇÃO É SOBRE NÃO-LINEARIDADE

O profissional de saúde que diz que jejum faz mal e que a dieta tem que ser equilibrada não entendeu o básico sobre o organismo humano. Vivemos de extremos. E a ideia por trás do jejum é a de replicar esses extremos. E é, como dito, muito seguro.

A imagem que vai abaixo é sobre um estudo que mostra que mesmo uma dieta de ZERO carboidrato (eu não disse low-carb, disse ZERO carboidrato, que duvido que você siga) reduz em cerca de 70% a queda dos níveis de insulina e glicemia que se consegue fazendo o jejum. O jejum é, pois, aquele treino longo, aquele treino de tiro que o corredor precisa para melhorar em uma prova. Ou ainda, é aquele levantamento de poucas repetições no supino com muita carga que o indivíduo faz se ele quer ficar mais forte.

Eu não quero pedir ou sugerir que você faça o jejum. Não me importa. Mas se você tem medo da ideia de jejuar, quis explicar como errado está o profissional de saúde que ainda não entendeu sequer como ele funciona.

Nutrição não é sobre moderação ou equilíbrio, mas é SIM sobre não-linearidade.

 

 

Autor:

Danilo Balu – O Nutricionista Clandestino

    

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