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Como eu consegui quebrar o platô

Liss Bischoff

Eu contei minha história logo no início da criação desse blog (https://resistencia-insulina.com.br/2016/06/minha-historia.html). Contei como eu perdi aproximadamente 15 kg com low carb.

Essa perda de peso aconteceu em aproximadamente 8 meses (entre outubro de 2015 e junho de 2016). E depois disso eu fiquei por quase 2 anos com o peso oscilando 2 ou 3 quilos pra cima e pra baixo, mas sem conseguir emagrecer mais.

Eu ainda tinha um percentual de gordura relativamente elevado, que eu queria reduzir. Mas eu simplesmente não conseguia fazer a balança se mexer.

Eu fiz várias tentativas de quebrar esse platô (jejuns, cetogênica, protocolo whole30, dieta carnívora…), mas nada parecia ser eficiente. Eu chegava a perder uns 3 kg, mas a perda de peso logo estagnava novamente e os poucos quilos perdidos eram rapidamente recuperados.

Eu fiquei batendo cabeça por quase 2 anos até resolver que ia mudar isso, ia quebrar esse platô e finalmente perder o restante do peso para chegar ao meu objetivo traçado lá no início. Mas para isso eu precisava repensar minha estratégia.

 

Como eu consegui quebrar o platô

Quantas pessoas que vocês conhecem que entraram num platô e conseguiram superar, voltando a perder peso depois?

Essa não é uma tarefa fácil, não.

No meu caso, eu entendi que eu precisava de uma abordagem multidisciplinar:

1) Um nutricionista – pra me ajudar a montar uma boa estratégia nutricional;

2) Um coach – pra me ajudar a enxergar como eu estava me auto sabotando e o que eu podia fazer pra superar isso; e

3) Um treinador – pra montar um treino adequado pra mim (Tenho que confessar que o treino ele montou, mas eu ainda não estou realizando com a dedicação que eu gostaria – tenho que melhorar isso).

O que eu vou focar aqui no texto de hoje é a estratégia nutricional.

 

Estratégia nutricional

Conforme eu contei na minha história, eu perdi bastante peso com low carb. Então eu não tenho nenhuma dúvida de que low carb funciona.

No entanto, o mantra “coma comida de verdade de verdade, low carb, até saciedade” funcionou pra mim até um determinado ponto. Depois que eu cheguei num dado peso (que variava entre 73 e 75 kg) eu simplesmente não consegui mais perder mais. Eu ia e voltava, ficava oscilando 2kg para cima e para baixo… mas ficava orbitando em torno desse ponto.

Onde estava o problema então? (*Daqui pra frente eu estou lançando minhas reflexões a respeito do tema)

O problema é que “comer até a saciedade”, no meu caso, me levava a comer algo em torno de 1.800 calorias por dia (ou mais). E esse consumo calórico diário parece ser o quanto meu organismo precisa pra se manter.

No começo (quando eu estava acima do peso) eu comia mais. Então a simples mudança de uma alimentação high carb para uma alimentação low carb, com eliminação de cereais, farinhas e açúcares, já foi o suficiente pra levar meu corpo a perder peso.

Mas depois, o meu consumo energético chegou num ponto de estabilização onde o que eu comia era exatamente o que eu precisava pra manter o peso.

O problema é que eu não queria “manter o peso”! Eu ainda não tinha chegado ao peso ideal pra “manter o peso”…

 

Os níveis de insulina

Como todos do meio low carb já devem ter ouvido falar, a insulina é um hormônio regulador do tecido adiposo. E ouvimos também que a insulina elevada bloqueia o acesso às células de gordura. Portanto, para liberar os estoques de gordura, a fim de serem utilizados como energia, é preciso baixar os níveis de insulina. E tanto low carb, quanto jejum intermitente seriam boas estratégias para baixar os níveis de insulina do corpo.

Durante quase 2 anos eu segui low carb e acreditei religiosamente nas coisas que eu lia. Eu esperava que fazendo low carb e jejum intermitente eu conseguisse reduzir meus níveis de insulina e, com isso, começar a liberar meus estoques de gordura corporal.

No entanto, meus níveis de insulina basal também “entraram em platô”. Durante todo esse período, os níveis de insulina variavam um pouco, mas não baixavam de 17.

Era frustrante…

Eu comecei a me dar conta de que eu tinha fazer algo pra mudar isso. Continuar fazendo sempre a mesma coisa não ia me trazer resultados diferentes…

 

Sobre a fome e a ingestão calórica

Em 2016 o dr. Souto fez uma postagem (http://www.lowcarb-paleo.com.br/2016/11/ensaio-clinico-low-carb-reduz.html) sobre um ensaio clínico randomizado que mostrou que Low carb reduz espontaneamente a fome.

Abaixo, trechos dessa postagem dele:

10 pacientes obesos com diabetes tipo 2 (3 homens e 7 mulheres) foram recrutados para participar do estudo. Todos concordaram em ficar internados por 21 dias, com controle TOTAL de tudo que comiam. Repito – este não é um estudo (falho) no qual as pessoas tentam seguir regras ou lembrar do que comeram; foi um estudo 100% conduzido dentro de um hospital, com todos os voluntários internados.

(…)

Os carboidratos foram reduzidos para 21g por dia;

Os voluntários podiam comer tanta proteína e gordura quanto desejassem;

A quantidade de queijo e de cream cheese era limitada;

(…)

As pessoas podiam comer a quantidade que bem entendessem de comida na fase low carb, conquanto fossem alimentos low carb compatíveis com a fase de indução de Atkins.

Estas pessoas, que podiam comer o quanto quisessem, desenvolveram um déficit calórico diário de MIL CALORIAS. Eu disse MIL, quando a ÚNICA intervenção foi a restrição de carboidratos para 21g por dia.

(…)

Qual a grande lição deste pequeno e bem conduzido estudo? É o fato de que, em condições de vida livre (ok, as pessoas estavam confinadas, mas podiam comer o quanto quisessem), low carb produz uma redução do consumo calórico. Não existe contradição entre a afirmação de que, para perder peso, é preciso comer menos, versus a afirmação de que para perder peso, a melhor alternativa é restringir carboidratos.

(…)

Por outro lado, como já discuti em outras postagens, low carb não é mágica e não viola as leis da termodinâmica. De forma que low carb não será uniformemente eficaz (como aliás pode ocorrer com QUALQUER intervenção em biologia). Uma pessoa que, mesmo comendo low carb, continue consumindo 3200 calorias, provavelmente não perderá peso.

Nesse ponto, o problema está identificado.

Low carb deveria me fazer consumir menos calorias naturalmente. Mas eu já tinha identificado que o meu consumo calórico não estava tão baixo e que estava me levando apenas a “manter o peso”, e não a “perder o peso”.

No meu caso, low carb reduziu espontaneamente a fome até certo ponto. Conforme eu já comentei, comer low carb até a saciedade me fazia ter uma ingestão calórica de aproximadamente 1.800 calorias por dia. Portanto, eu entendi que não podia confiar apenas na minha “saciedade” pra me dizer o quanto comer se eu quisesse voltar a perder peso (posso confiar na minha saciedade pra manter meu peso).

Pesquisando mais, encontrei um texto antigo do dr. Souto (de 2014), que está em linha com o que eu já havia me dado conta (http://www.lowcarb-paleo.com.br/2014/03/documentario-da-bbc-sobre-dieta-atkins.html). Abaixo, os trechos que eu extraí do texto:

4) Para algumas pessoas, o apetite é o problema causal. Há distúrbios hipotalâmicos, pouco compreendidos, nos quais o apetite é simplesmente aumentado. Se a insulina elevada não é a causa, reduzi-la não será a solução. Nestes casos, o controle de porções, infelizmente, precisa ser adotado. Não somos todos iguais em nossos metabolismos e em nossas doenças.

(…)

9) Em resumo, low carb apenas, sem déficit calórico, não irá funcionar; mas é muito mais fácil fazer déficit calórico com menos fome, e low carb diminui a fome; se a pessoa está em equilíbrio, acima do peso mas com peso estável, simplesmente reduzir drasticamente os carbs pode criar um déficit calórico automático de 300 calorias apenas por aumento da taxa metabólica.

10) Na pior das hipóteses, quando tudo falha, precisa passar fome. Mas a fome ainda assim será bem menor com low carb do que com dietas tradicionais.

(…)

http://lowcarb-paleo.blogspot.com.br/2013/02/nao-e-tao-simples-o-set-point.html

“Há cerca de um ano, quando comecei este blog, estava ainda sob forte influência do (sensacional) livro Why We Get Fat e de minha própria experiência com dieta low carb.”

Imaginei que havia descoberto A CHAVE para resolver o problema do excesso de peso – afinal, para MIM havia dado certo. Com o passar do tempo, comecei a ter experiências mistas no consultório em com pessoas próximas. Algumas pessoas tinham resultados como os meus – uma minoria. A maioria tinha uma perda inicial rápida de peso, chegando a um platô (estabilização do peso), frequentemente muitos quilos acima do ideal. Uma outra minoria praticamente não perdia peso, mesmo fazendo tudo certo.”

Esse é o ponto. Eu tinha tido uma perda de peso rápida e depois estabilizei no peso (platô). Eu sei que não sou a única. Vi isso acontecer com outras pessoas também.

Eu concordo totalmente com o dr. Souto: não somos todos iguais em nossos metabolismos e em nossas doenças. Então não podemos esperar ter os mesmos resultados de outras pessoas.

Então, uma vez identificado o problema, qual caminho a tomar pra resolver?

 

Estratégia nutricional com ciclos de dieta hipocalórica e normocalórica

Na consulta com meu nutricionista decidimos a estratégia a ser seguida:

  • Low carb (abaixo de 50 gramas de carboidratos líquidos por dia);
  • Ciclos – Alternando períodos de dieta hipocalórica (em torno de 1.250 calorias por dia) com períodos de dieta normocalórica (em torno de 1.850 calorias por dia).

Qual a diferença entre a dieta hipocalórica e a normocalórica (em termos de alimentação)?

Eu percebi apenas duas diferenças:

Na normocalórica eu fazia minha alimentação low carb normal – acrescentando azeite de oliva na salada, manteiga nos legumes refogados, creme de leite e manteiga nos ovos mexidos, comia as carnes com a gordura natural, como picanha.

Exemplos de café da manhã

Exemplos de almoço

Na hipocalórica, a quantidade de proteína é controlada e a gordura adicionada é evitada – então nada de azeite de oliva na salada, nada de manteiga nos vegetais, nada de creme de leite, e dar preferência aos cortes de carne mais magros (além de não exceder a quantidade sugerida no plano alimentar).

Ao reduzir a quantidade de gordura na alimentação já conseguimos reduzir umas 500 calorias sem muito esforço. (Pra quem tem dúvida sobre a redução da gordura numa dieta low carb/cetogência, sugiro a leitura do texto: https://resistencia-insulina.com.br/2017/08/como-cortar-gordura-em-uma-dieta-cetogenica-ou-low-carb-e-porque-voce-poderia-querer-isso.html)

 

A gordura na alimentação low carb

Ok, a estratégia estava decidida. Mas por que essa estratégia? Qual o fundamento por trás dela?

Em junho de 2018 o dr. Souto fez uma outra postagem que esclarece muita coisa aqui:

(…) a pergunta posta é: qual o benefício de consumir gordura na dieta quando se visa emagrecimento, e a partir de que momento essa estratégia pode tornar-se contraproducente?

(…) seu primeiro objetivo é aumentar a oxidação de gordura nas suas células. Essa é a única forma da gordura sair do seu corpo. Tradicionalmente, as pessoas fazem isso passando fome. Em low-carb, a relativa escassez de glicose faz com que o corpo oxide preferencialmente gordura. Se você pertence ao grupo das pessoas que considera a fome algo desagradável, é uma opção bem atraente.

Mas QUAL gordura o corpo irá oxidar? A gordura armazenada no tecido adiposo, ou a gordura presente na comida? A resposta é AMBAS. Assim, por óbvio, quanto MAIS gordura houver na dieta, MENOS gordura corporal será oxidada (eliminada).

E esse é o momento em que muita gente irá colocar as mãos na cabeça e gritar “não entendo mais nada!!”. Afinal, low-carb não é uma dieta com mais gordura? O acrônimo em inglês LCHF não significa justamente Low-Carb High-Fat (baixo carboidrato, alta gordura)?

(…)

Neste momento, é importante esclarecer uma coisa. A gordura da pele do frango irá, SIM, competir com a SUA gordura para ser oxidada nas mitocôndrias. Em outras palavras, consumir um pouco mais de gordura na dieta significa, a rigor, “queimar” (oxidar) um pouco menos da sua própria gordura. Para deixar AINDA MAIS claro: SE fome e prazer não existissem, a estratégia ideal para o emagrecimento seria uma dieta de baixo carboidrato, baixa gordura, baixa caloria e alta proteína. Vejamos: baixo carboidrato (low-carb) força o corpo a usar gordura como fonte de energia; baixa gordura força o corpo a usar a gordura corporal (e não a da comida) como fonte de energia; alta proteína preserva a massa magra, e o déficit calórico é condição necessária para qualquer emagrecimento.

(…)

O Dr. Ted Naiman, médico americano que sigo no twitter (@tednaiman), tem uma capacidade incrível de resumir conhecimento científico sobre low-carb em memes. Um deles é especialmente relevante para nossa discussão atual: “Se seu corpo já é HF (já tem alta gordura), então tudo que você precisa é de LC (low-carb)”.

Acho que isso que está dito no texto já seria suficiente pra explicar a razão da dieta hipocalórica com redução da gordura da dieta. A minha dieta é praticamente o que o Souto classificou como “ideal para o emagrecimento”: dieta de baixo carboidrato (menos de 50 gramas líquidos por dia), baixa gordura e baixa caloria. A proteína não é tão alta, mas me garante em torno de 1,2 grama de proteína por quilo de peso corporal ideal (na fase hipocalórica; na normocalórica pode chegar a 2 gramas/quilo)

Mas por que os ciclos (e qual a importância de segui-los corretamente)?

 

O estudo MATADOR

O estudo MATADOR (Minimising Adaptive Thermogenesis And Deactivating Obesity Rebound) [1] pegou 51 homens com obesidade, que foram randomizados para 16 semanas de: (1) restrição energética contínua (CON) ou (2) restrição energética intermitente (INT) na forma de 8 x 2 semanas, alternando ciclos de hipocalórica e normocalórica. (30 semanas no total).

Ambos os grupos completaram uma fase de balanço energético de 8 semanas após a perda de peso. Incluindo a linha de base de 4 semanas, 16 ou 30 semanas de restrição energética e 8 semanas pós-perda de peso, as fases de equilíbrio de energia, o prazo total da intervenção foi de 28 e 42 semanas para os grupos CON e INT, respectivamente. (obs.: A intervenção visava garantir que ambos os grupos tivessem o mesmo prazo (em semanas) de restrição energética)

Alimentos foram fornecidos para cada uma dessas três fases e os participantes foram acompanhados após um período de 6 meses de vida livre.

O estudo foi elaborado de forma que a dieta de restrição energética para os participantes de ambos os grupos fosse equivalente a 67% das necessidades energéticas de manutenção do peso individual (ou seja, 33% de redução na ingestão de energia). A prescrição de ingestão de energia foi ajustada para levar em conta as reduções no gasto energético de repouso (GER) que foram medidas após cada 4 semanas de restrição energética, para garantir que os participantes permanecessem no mesmo déficit de energia relativo ao longo do estudo. Durante os sete blocos de equilíbrio de energia no grupo INT, foi prescrito aos participantes uma dieta que fornecesse 100% dos requisitos de energia de manutenção do peso.

Qual o objetivo do estudo?

Segundo os autores do estudo, parte da dificuldade em perder peso e manter a perda de peso por meio mudanças no estilo de vida é que o corpo responde à restrição energética por meio de uma série de mudanças compensatórias nos determinantes biológicos e comportamentais do peso corporal.

Um componente-chave é a redução no gasto energético de repouso (GER), que tem sido observado em roedores magros e humanos durante o jejum prolongado e restrição energética severa. Paradoxalmente, essa redução também é observada em pessoas com sobrepeso ou obesidade após perda de peso modesta.

Isso já é sabido e foi demonstrado claramente no estudo realizado com os participantes do reality show The Biggest Loser (leia mais aqui: http://www.lowcarb-paleo.com.br/2016/05/o-caso-do-biggest-looser-por-que-o-foco.html)

Os autores do estudo explicam que, dado que o GER é determinado em grande parte pelo tamanho e composição do corpo, espera-se que diminua com a perda de peso. No entanto, durante a restrição energética, percebeu-se que o GER diminuiu em uma extensão maior do que o esperado devido a mudanças na composição corporal, um fenômeno denominado “termogênese adaptativa”.

Isso leva a redução acentuada da eficiência da perda de peso. Estudos mostraram que, no início de intervenções prolongadas e contínuas, a perda real de peso era quase 100% daquela esperada dos cálculos energéticos. No entanto, na medida em que o período de restrição energética contínua continua, a perda de peso por unidade de déficit calórico é substancialmente reduzida, e uma grande proporção da perda de peso menor que a esperada poderia ser explicada pela redução do GER. Portanto, encontrar maneiras de atenuar essa redução adaptativa do GER durante a restrição energética pode melhorar a perda de peso e sua manutenção.

Embora alguns estudos com adultos com sobrepeso ou obesidade sugiram que as respostas compensatórias ao GER e a perda de peso persistam além do período da restrição energética, outras pesquisas sugerem que muitas dessas respostas podem ser revertidas por um período de 14 dias de equilíbrio energético pós-perda de peso. Isso levanta a possibilidade de que períodos de equilíbrio energético deliberado possam ser explorados durante intervenções dietéticas para aumentar a eficiência da perda de peso. Essa abordagem é semelhante à periodização em programas de treinamento que incorporam ciclos de estímulo para sobrecarregar progressivamente a fisiologia e estimular adaptações positivas na capacidade funcional, além de ciclos de treinamento reduzidos para evitar o overtraining e os efeitos negativos no desempenho resultantes de cargas de treinamento cronicamente altas. De maneira semelhante, uma abordagem intermitente da restrição energética, consistindo em ciclos de restrição intercalados com períodos de equilíbrio energético, poderia atenuar as respostas compensatórias associadas à restrição energética crônica e, assim, fornecer uma estratégia de perda de peso mais eficaz e sustentável do que as abordagens contínuas tradicionais.

Os autores propuseram que um ciclo de restrição energética intermitente ideal poderia ser combinar ciclos de duas semanas (tempo suficiente para a atenuação da termogênese adaptativa) com blocos restrição energética de mesma duração. O uso desses ciclos de 2 semanas de restrição energética é baseado na análise dos estudos de semi-fome de Minnesota (realizados por Ancel Keys e publicados na década de 50), que revelaram que a redução no GER que acompanha a restrição energética compreende duas fases; uma fase inicial rápida (aproximadamente 2 semanas), que é provavelmente atribuída a alterações nos processos que regulam o metabolismo celular em resposta a uma alteração aguda no balanço energético, e uma fase posterior onde a redução no GER é função do tecido corporal reduzido.

O que os resultados deste estudo apontaram?

Primeiro: Durante o período de intervenção, a perda de peso foi 47% maior no grupo INT do que no grupo CON (Figura 1).

O grupo INT teve uma redução inicial maior no GER absoluto comparado com o CON. No entanto, a redução no GER foi semelhante entre os grupos na semana 16, apesar da maior redução no peso corporal no grupo INT.

Quando ajustado para composição corporal, o GER em CON diminuiu progressivamente ao longo da intervenção. Em contraste, o decréscimo inicial do GER na INT foi parcialmente revertido durante as últimas 4 semanas da restrição energética, resultando em uma redução significativamente menor no GER do que o CON na semana 16.

Usando os cálculos específicos do estudo, o GER medido foi significativamente menor que o previsto em CON na semana 16, mas tendeu a ser maior que o previsto em INT na semana 16. Isso mostra que a redução do gasto energético de repouso foi menor do grupo INT (que era o que o estudo visava avaliar).

A recuperação de peso ao longo da fase pós-intervenção de 6 meses variou entre os indivíduos, mas, em média, ambos os grupos recuperaram parte do peso ao longo dos 6 meses de seguimento (INT: aproximadamente 3,5 kg vs CON: aproximadamente 5,9 kg), mas o peso total perdido a partir do final da linha basal permaneceu maior no grupo INT no follow-up (INT: −11,1 vs CON: −3,0) (figura 2).

Ou seja: ao final de 48 semanas, o grupo de restrição energética contínua manteve, em média, uma perda de peso de 3 kg em relação ao início do estudo, enquanto o grupo que seguiu a estratégia intermitente manteve uma perda média mais de 11 kg.

A diferença foi grande! Quem seguiu a estratégia intermitente perdeu mais peso, teve menor redução no gasto energético de repouso e, consequentemente, recuperou menos peso na fase de acompanhamento em vida livre.

Mas um detalhe importante aqui: a dieta utilizada neste estudo não foi low carb. Ela contou com uma proporção de carboidratos em torno de 50 a 60% do total calórico.

 

Outro estudo

No podcast nr. 124 da Tribo Forte (http://emagrecerdevez.com/tribo-forte-124/), Rodrigo Polesso e dr. Souto comentaram sobre um outro estudo [2].

Nesse estudo, foram avaliados 20 pacientes obesos que perderam 20,2 kg de peso corporal após uma dieta cetogênica (very low carb) de 4 meses.

O estudo mostrou que apesar da grande redução do peso corporal, a taxa metabólica basal (gasto energético de repouso) medida variou muito pouco, não tendo significância estatística.

Os autores do estudo afirmam que nenhuma adaptação metabólica foi observada e que os níveis de corpos cetônicos foram o preditor da ausência de redução na taxa metabólica basal.

Em resumo, este estudo mostra que o tratamento de pacientes obesos com dieta very low carb (cetogênica) favorece a manutenção da taxa metabólica basal dentro da faixa esperada para mudanças na massa livre de gordura e evita o fenômeno da termogênese adaptativa.

 

E a minha estratégia, como foi?

Como vocês podem ver, basicamente a estratégia proposta pelo meu nutricionista englobou as duas coisas que foram testadas e que têm uma boa possibilidade de evitar (ou pelo menos, reduzir) a termogênese adaptativa: ciclos de dieta hipocalórico intercalada com dieta normocalórica; e uma alimentação very low carb (cetogênica).

Eu coloquei essa estratégia em prática. A duração dos ciclos não foi tão regrada (eu ia fazendo conforme eu conseguia).

Fiz medições de cetonas durante o período inicial da estratégia e, conforme se vê na imagem abaixo, eu cheguei a registrar cetonas de 0,7.

Eu fiz uma postagem no instagram falando sobre isso no dia 28 de junho (https://instagram.com/p/Bklbr-Sl-Hb/). Eu expliquei que esse não é um nível de cetose tão elevado quanto alguns pregam que deveria ser. Mas o mais importante é que essas cetonas foram produzidas a partir da minha gordura corporal. E não a partir da gordura da minha alimentação.

Como eu estava no ciclo hipocalórico, meu consumo de gordura na alimentação estava bastante reduzido. Assim eu estava forçando meu corpo a usar sua própria gordura para a produção de corpos cetônicos. Isso é o que eu chamo de cetose real.

Junto com isso, eu procurava reduzir minha janela de alimentação, encerrando minha alimentação mais cedo (o que chamamos de ETRF – Early Time-Restricted Feeding). Eu costumo tomar café da manhã por volta de 8h, almoçar até às 12h, e depois disso eu posso ficar em jejum até o café da manhã do dia seguinte (totalizando 19 a 20 horas de jejum intermitente). Nos dias em que eu sentia fome à tarde, eu procurava comer algo antes das 18h. Assim, eu ainda conseguia manter umas 14 horas de jejum.

 

E funcionou?

Os resultados dessa estratégia que eu adotei podem ser observados abaixo:

A redução foi de 4,8 kg em aproximadamente 40 dias de intervenção (registrando que em apenas 28 dias eu fiz restrição energética).

Abaixo, os dados que eu registrei durante dos dias de restrição energética:

O consumo energético médio durante o período de restrição energética foi de 1.300 calorias. E o total de carboidratos ficou em torno de 40 gramas de carboidratos líquidos.

Nos dias de dieta normocalórica eu não registro nada (são as linhas em branco na planilha). Eu apenas como até a saciedade, como sempre fiz. A única regra é manter os carboidratos baixos (sempre abaixo de 50 gramas líquidos por dia).

 

Outros resultados

Finalmente, vale registrar que a insulina basal baixou bem:

Eu ainda não atingi meu objetivo final porque eu ainda estou em processo de perda de peso. Eu ainda devo repetir esses ciclos por algum tempo até chegar ao ponto que eu desejo. O importante é que percebi que eu descobri formas de contornar o platô e voltar a perder peso.

E o coaching me ajudou a ver que eu posso chegar lá. 😉

 

Atualização dessa postagem

Após a conclusão do presente texto houve uma evolução dos meus resultados, que eu apresento pra vocês a seguir:

Já se foram mais de 7 kg até agora. Faltam só 2,4 para alcançar a meta que eu tracei pra mim. 😉

 

Referências:

[1] Intermittent energy restriction improves weight loss efficiency in obese men: the MATADOR study

[2] Resting metabolic rate of obese patients under very low calorie ketogenic diet

 

Convido todos a conhecer meu site: https://resistencia-insulina.com.br/

E meu perfil no Instagram: @liss_bischoff

 

Autora:

Liss Bischoff – Resistência à Insulina

      

Por gentileza, se deseja alterar o arquivo do rodapé,
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