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Colesterol alto não é doença

Pedro Schütz

Indo direto ao ponto, o colesterol é um indicador substituto!

É uma medida, não uma doença. Nem colesterol total alto nem LDL (-C) alto, em particular, é uma doença . Eles têm sido considerados marcadores de doença cardiovascular ou risco de ataque cardíaco, mas isso ignora o fato crucial de que nem o número de partículas de LDL no sangue, nem a quantidade de colesterol nelas contida, indicam algo sobre o grau de acúmulo de placa aterosclerótica nas suas principais artérias.

Medir a quantidade de colesterol no sangue NÃO fornece nenhuma informação sobre o acúmulo de placas calcificadas nas artérias coronárias, ou seja, o quão podem estar “obstruídas” suas artérias ou não. Com isto em mente, o foco obsessivo na redução do colesterol por qualquer meio necessário pode até provocar um efeito contrário, piorando a própria epidemia de doenças cardíacas. Existe um estudo (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25655639) feito em que os autores argumentam que “a epidemia de insuficiência cardíaca e aterosclerose que assola o mundo moderno pode, paradoxalmente, ser agravada pelo uso generalizado de estatinas” e propôs que as atuais diretrizes de tratamento com estatinas sejam criticamente reavaliadas.

Estatinas realmente baixam o colesterol, mas este baixado pela medicação não garante proteção contra ataques cardíacos ou doenças cardíacas (risco relativo X risco absoluto). Além disso, as estatinas não apenas reduzem o colesterol. O mecanismo bioquímico pelo qual elas o fazem vem acompanhado de uma série de outros efeitos, alguns dos quais têm implicações drásticas para a saúde cardiovascular. Para citar apenas dois, as estatinas interferem na função mitocondrial saudável e também prejudicam a síntese da vitamina K2 (crucial). A vitamina K2 é uma espécie de guarda de trânsito para o cálcio: ajuda a depositá-lo no local de origem, como em seus ossos e dentes, e ajuda a afastá- lo de locais onde você NÃO quer, ou seja, nas suas paredes arteriais, suas articulações e seus rins. Assim, você pode ver como uma deficiência nessa vitamina crítica pode levar à calcificação arterial e não tem nada a ver com a quantidade de colesterol no sangue. (Você pode aprender mais sobre essa vitamina fascinante, mas subestimada, no livro Vitamina K2 e o Paradoxo de Cálcio).

Considerando que as pessoas que têm doenças cardíacas ou sofrem ataques cardíacos podem variar seu colesterol para baixo ou para cima, usar o colesterol total ou LDL como o determinante para risco de um evento cardiovascular é tão equivocado quanto medir a saúde metabólica e tolerância a carboidratos apenas através de medições de glicose no sangue, ignorando o papel crucial da insulina.

Com tudo isso em mente, mais médicos (e pacientes) estão tirando proveito do exame de cálcio da artéria coronária (CAC). Ao contrário das medições do colesterol sérico, que, novamente, são apenas substitutos, o CAC fornece observação direta da calcificação arterial que já ocorreu ou não. Por que confiar apenas em substitutos quando você pode ter uma imagem do estado real de suas artérias?

Os dados estão se acumulando, o que confirma o que muitos médicos já sabem, mesmo que hesitem em admitir: os níveis de colesterol geralmente não se correlacionam com a aterosclerose. Os dados mostram que “existe uma heterogeneidade de risco significativa para ASCVD [doença cardiovascular aterosclerótica] entre aqueles elegíveis para estatinas de acordo com as novas diretrizes. A ausência de CAC reclassifica cerca de metade dos candidatos como não elegíveis para terapia com estatina.” Em português: metade das pessoas que seriam colocadas em estatinas com base em medidas de colesterol não eram candidatas a essas drogas potencialmente perigosas quando a calcificação real da artéria coronária foi medido.

Outros estudos apresentam resultados semelhantes. De acordo com um estudo em adultos coreanos, mais de 50% dos indivíduos para os quais a terapia com estatina foi recomendada tiveram um escore CAC de zerosem calcificação. Com base na calcificação arterial real – ou melhor, na falta dela – esses indivíduos tinham baixo risco de eventos cardiovasculares, mas sem terem obtido o teste de CAC, eles poderiam ter sido tratados com estatinas com base apenas na medida substituta do LDL.

 

Autor:

Pedro Schütz – Ciência Schutz

   

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