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A descoberta da compulsão

Rita Kroth

 

Um caminho de sabor marcante

Eu quero te contar o que descobri quando comecei a mudança no meu estilo de vida: sou compulsiva, viciada em açúcar.

Sim, eu já comi escondida, trancada no banheiro, e no cantinho da cozinha enganando as crianças, o marido, escondida de todos, de mim. Eu comprei bagaçada e mantive em lugares só meus. Comi de olhos fechados pra sentir devagar o prazer do açúcar, coisa que me entra pela boca como uma droga alucinógena.

Sim, eu fiz isso por muito tempo e muito antes eu já havia me trancado no quarto, sentada no chão de encontro à porta, comi sem culpa até estourar, e então a culpa mostrou sua cara em sua pior forma, mas comer me passava a sensação de falsa segurança, o que posso fazer?

Eu era apenas uma menina de 17 anos com medo do pote de sorvete que tinha em mãos. Devorei-o todo, uma, duas, três vezes, muitas delas pela vida à fora. Aliás, sorvete sempre foi meu fraco. Nunca soube comer uma taça. Lembro bem que aos 12 anos dei meu primeiro vexame. Saí à procura de sorvete na companhia de meu pai, e vi seu rosto rubro ao fazer meu maior pedido, um abacaxi cortado ao meio com zilhões de bolas e coberturas infinitas.

Naquela época nem a SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos) me assustava, afinal eu nem sabia. Apenas menstruava quando o corpo queria, ou sangrava sem fim quando ele decidia se render. Eu sempre fui Resistente à Insulina e aos trancos sobrevivi. Pela vida, nem sempre uma gorda aparente, mas doente certamente.

Então, fui envelhecendo e continuei comendo. Sim, eu comia chocolate puro açúcar em plena dieta! E chorei, quis vomitar, pensei em forçar, pensei em laxantes, mas em vomitar certamente, mas não consegui. Apenas Chorei.

Chorei de derrota, chorei de tristeza, de frustração, mas principalmente de ódio de mim e do meu corpo que não respondia aos estímulos conforme eu queria. Na verdade mal sabia que o problema estava na mente, esta também estava doente e não obedecia à necessidade que tinha de parar. Buscar a cura para um corpo cansado de tantas idas e vindas era meu único caminho, mas eu estava cega. Era compulsiva e vivia obcecada por açúcar em todas as suas variações. Conforto diante de perdas e derrotas. Confesso.

Depois que alcancei minha maior marca, batendo os 100kg,  eu podia simplesmente parar de comer que continuava gorda, e faminta, então comia MAIS E PIOR. Hoje sei que incorrer em erro me inflamava mais e mais, pois de que me adiantava a fome se quando comia devorava em fast foods!? Hoje penso, que bem me fez Jason Fung.

Sem conhecer outro caminho, acabei disforme, com roupas  apertadas, quando muito as que cabiam. A cintura cheia de gomos pronunciavam braços ondulados de celulite. Enquanto numa virada e outra, minhas carnes vibravam ao se amontoar. Era uma dor moral sentida por ter deixado de amar a criatura que via refletida no espelho. E este desamor não me permitia ser amada, por que de forma inconsciente eu não compreendia como poderia ser amada já que eu mesma não gostava do que via.

Então, por fim chorei de dó de mim. Sim, eu fui uma coitadinha, refém do mimo a que me coloquei, transferindo ao mundo, aos pais, e aos desgostos da vida, toda minha falência.

Sem saúde, sem fôlego, junto, mas sozinha, chorei ao perceber que vivia um problema muito além de um incômodo aparente. Definitivamente não era estética a minha urgência, eu estava doente.

 

A morte leva meu pai

Então, dei de frente com a verdade quando a morte lambeu minha cara de uma forma definitiva. Minha matriz, a última raiz que me fazia sentir parte de um todo maior, era levado de mim, mesmo sendo tudo que eu tinha de mais meu. A partida de um pai que me amava de um jeito muito peculiar, foi um ponto entre dois caminhos. Ou me entregava em rebeldia, pesarosa de todo mal do mundo, e como uma criatura mimada me entregaria em erros, ou levantava travando a maior luta que um dia pude combater contra mim mesma.

E foi nesse turbilhão de emoções que conheci a LOWCARB  Eu estava no olho do furacão por que me descobri doente, confusa e órfã.  Insatisfeita comigo como mãe, esposa, mas principalmente como mulher.

Como mãe, não corria. Brincava sentada, ofegante a cada investida. Mal humorada, sem paciência, meu Deus quanta diferença. E chorava.

A esposa, não amava no claro, a luz lhe ofendia, e no escuro do quarto se entregava parcial, com vergonha de um corpo que não lhe parecia seu. Meu marido foi suave estada, uma coisa que hoje entendo como respeito. Sou-lhe grata.

Como mulher, perdida. Sem rumo seguia em várias tentativas numa vida de sanfona, quase sempre uma magra sem vida. Magreza falsa, sustentada à base de pacotes industrializados, glutamatos e caramelos. Aí denunciadas em vasta lista de doenças filhas da Síndrome Metabólica.

Então, numa dessas tentativas, dei de cara com ela. Muito mais que uma dieta, uma filosofia, uma companheira que chegou em minha vida cheia de novidades, e segredos, informações veladas, que não nos são passadas por pura ignorância em medos infundados. Depois vim a saber que vinha de uma sabedoria antiga, mistérios que decidi decifrar um a um, lendo, estudando, conversando, e numa entrega incessante à  LOWCARB e aos processos do corpo, me tomo de paixões até hoje.

Meu corpo respondeu de pronto! Eureka! E continua assim. A nutrição humana, com suas surpresas me arrebata e instiga a cada alimento, a cada estratégia. Hoje meu corpo responde aos estímulos que dou, quem sabe seja por que, pela primeira vez na vida, realmente faço a coisa certa.

De todas as descobertas, a que precisa de eterno controle, sou compulsiva confessa, viciada em açúcar e por ele já atravessei a cidade sem controle. Sim, sair na madrugada à procurar de uma goiabada, um pé de moleque, pode ser entendido como distúrbio, coisa que precisa ser tratada e entendida. No meu caso foi na marra, por pura necessidade, e instinto de sobrevivência.

Não, não posso dar a primeira mordida, felizmente hoje me cerco de macetes que sustentam minha mente. Auto conhecimento tem sido fundamental, a isso também reconheço o magistral poder do jejum intermitente bem executado. Com tranquilidade e sabedoria, faço dele meu maior aliado.

Sim, eu continuo errando, mas agora erro no afã de acertar, na certeza do acalento companheiro de minha mais nova amiga LOWCARB.

 

Autora:

Rita Kroth

  

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