dicas de alimentação e saúde ralph.tacconi

Guia de sobrevivência alimentar

Ralph Tacconi

 

Eu não gosto muito quando ouço as pessoas dizerem que comer comida de verdade é fácil. Não é, não. Aqueles que têm condições de cozinhar sua própria comida, têm horários adequados e podem se programar pra comer sempre em casa, são privilegiados. Mas, boa parte das pessoas estão em escritórios fechados, com marcadores de ponto de entrada e saída e  não tem muito tempo para se deslocar ou até mesmo procurar um local apropriado.

Frequentemente somos submetidos a situações onde precisamos manter a sociabilidade e o prazer de estar entre pessoas do nosso convívio diário.

Não vivemos num mundo ao qual estamos recentemente acostumados. As pessoas (em sua maioria) não estão preparadas para se alimentar corretamente e por isso temos que nos adaptar a determinadas situações para nos mantermos fiéis às nossas convicções. Eu pelo menos, não quero me afastar das pessoas que gosto, dos profissionais que estimo apenas porque mantenho um estilo de vida diferente deles. Foi pensando nisso que resolvi criar esse guia e, de forma mais bem humorada possível, tentar ajudar a se livrar de alguns perrengues do nosso cotidiano alimentar.

Espero que aproveitem e sirva de algo.

 

No Trabalho

 

Café com o presidente

É comum agora nas empresas (médias e grandes), o pessoal do RH e do Marketing reunir alguns funcionários em um dia qualquer e fazer o “Café Com o Presidente”. Qualquer funcionário pode ser sorteado e um grupo deles (um por cada área) ganha a oportunidade de tomar um café da manhã com o grandmaster da corporação. No evento, há uma seção de fotos, anúncios para serem usados como produtos de divulgação e marca da empresa.

Se você for um deles, preste atenção:

O que fazer: O café da manhã é forte. O pessoal que organiza, capricha. Então se prepare, pois estará diante de muitas tentações. Bolos, pães (salgados e doces), frutas, sucos, geleias e tudo que a gente imagina.

Faça enroladinho de frios com a mão mesmo. Aproveite a empolgação do chefão falando com as pessoas sobre projetos, planos ou negócios. Ele nem vai se tocar que você está tendo péssimos modos à mesa. De vez em quando abra um sorriso e finja estar atento ao assunto… Tenho certeza que ele nem vai notar o que você está comendo.

O que é aceitável: Se quiser comer umas frutas, sem problemas. Pegue uns morangos, tome um café com leite. Não se preocupe, isso não afundará sua dieta. Trata-se de um dia atípico.

Se você fizer, eu te mato (1): Não saia comendo tudo que tem pela frente, alegando que aquilo era um dia especial e que “hoje pode”. Além de passar vergonha, é bem capaz de ficar uma péssima impressão para o big boss.

Se você fizer, eu te mato (2): Em hipótese nenhuma tente convencer o hómi do lowcarb/cetose/paleo. O que menos esse cara quer é alguém catequista do lado dele. Esse dia é dia de fazer média, tanto ele quanto você não queriam estar ali, então não dificulte as coisas. Seja político. Ele não está nenhum pouco interessado nas suas reservas de glicogênio.

 

Bombom

Alguém fazer aniversário e levar chocolates no dia para distribuir aos colegas como lembrança já virou modinha também.

O que fazer: Aceite e guarde. Diga que vai comer mais tarde. E assim que puder, doe para alguém que você queira. Eu mesmo sempre doava pra Dona Julia da limpeza. E ela sempre achava que era flerte. Tadinha!

O que é aceitável: Coma. Sua vida não vai acabar e você não vai engordar 17 quilos porque comeu um Sonho de Valsa. Se tiver opção, escolha algum mais amargo.

Se você fizer, eu te mato: Recusar sempre. É uma desfeita e super chato. Provavelmente aquela pessoa já vai saber o motivo e vai rotulá-lo, o que, convenhamos, não é nada bom. Uma recusa passa, mas recusar sempre fica bem desagradável.

 

Almoço de aniversário 

Acontece também que algum aniversariante do dia marque pra almoçar e comemorar a data com os colegas. Eu mesmo já participei de vários.

O que fazer: Tente participar da escolha do local e aí você consegue opinar e quem sabe vão a um lugar que você consiga manter sua alimentação padrão sem problemas.

O que é aceitável: Se for um local não muito propício, tente pedir seu prato o máximo customizado possível, sem exagerar. Pode pedir pra trocar as batatas por brócolis, por exemplo, e escolher pratos sem molhos. Não invente desculpa, sempre dá pra adaptar um prato. Pode ser que não fique 100%, mas dá pra aliviar bem a gordice.

Se você fizer, eu te mato: Não ir. Isso é horrível. Você pode ter até ter problemas profissionais com uma atitude dessas. Ficar queimado com a equipe, com o chefe e até com o aniversariante. E o pior: Correm o risco do pessoal falar mal de você.  Na frente ninguem fala, mas pelas costas, ahhhh, ô se falam!

 

Poucas opções

Quando não há boas opções perto do trabalho, as coisas acabam complicando É quase que um convite à comida lixo. Pessoas que trabalham em shoppings, aeroportos, hospitais e que são afastados de centros comerciais tem pouquíssimas opções disponíveis, e as que tem, a gente conhece, né?

O que fazer: Não há outra alternativa a não ser levar marmita. Eu mesmo fiz por muito tempo.

Uma vez por semana, geralmente no domingo, já preparava a comida da semana toda. Ovos, uma fonte de proteína (geralmente frango desfiado) e alguns legumes. Comprava  bastante, fazia uma vez e colocava em 5 porções equivalentes aos dias da semana. Isso faz com que você mantenha a sua preguiça intacta a noite quando chega do silviço e tem aquela imensa vontade de fazer nada.

O que é aceitável: Mesmo com opções escassas, sempre tem um quilo da vida. Não sabemos que óleos cozinham, que temperos usam (certamente devem ser os mais baratos e piores), mas pra ser “menos pior”, entre num desses (dê preferência aos que tenham grill) e coloque algumas verduras e legumes crus ou cozidos e poucas carnes. Se não lavarem direito (as verduras), paciência, comerá uma larvinha junto, mas não deixa de ser comida de verdade, né? Que nojo!

Se você fizer eu te mato(1): Tentar se enganar em fast-food. Comprar um sanduíche famoso e retirar os ingredientes carbônicos e artificiais. Gente, esse hambúrguer deles é fake. A carne é zoada. Muito cuidado. Isso vale pra todas essas que vendem lanches. Não há comida de verdade em fast-food.

Se você fizer eu te mato(2): Procurar as opções “saudáveis” em shopping. Não há opção saudável em shopping. Essas lojas que anunciam produtos saudáveis, são os produtos que a gente ouve falar todo dia. Aquele papo dos integrais, dos lights, dos fat-free. Você entra nessa e acaba saindo pior.

 

Sociais

 

Festinha infantil

Invariavelmente somos convidados a festinhas de criança. Algumas dá pra recusar, algumas não. Não aja como um ermitão, é preciso, sim, se acostumar com compromissos sociais.

O que fazer: O ideal é comer antes, assim você já chega satisfeito e pode administrar bem a situação. Algumas dão refeição, outras ficam apenas nos salgados. Se tiver a refeição, aguarde-a e aí fica fácil de saber o que fazer. Se não tiver, não recuse tudo, pegue um ou outro salgado, disfarce e coloque na mesa mais próxima. Com certeza, uma criança atentada vai passar correndo e comerá.

Tem algumas festas que dão pipoca. Talvez seja uma boa opção para “forrar o estômago” e não ficar sob os olhos autuantes dos outros. Outra tática importante é mudar de rodinha de pessoas, assim ninguém percebe que você não está comendo nada.

O que é aceitável: Se quiser comer, coma. Escolha um tipo de salgado (assados de preferência) e coma alguns deles. Não precisa se empanturrar, coma de uma forma consciente. E se sentir vontade, coma um pedaço (pequeno) de bolo. Estará de bom tamanho e nada estará perdido. A culpa não vai bater tão forte.

Se você fizer, eu te mato (1): Levar marmita.  Pelo amor do Vovô Atkins! Isso é o maior sinal de como isso não está sendo saudável para você. Não adianta nada ter uma alimentação perfeita e ter esse tipo de pensamento. Não coma nada, tome água, mas não faça isso. Não adoeça a mente.

Se você fizer, eu te mato (2): Utilizar a opção “aceitável” e comer como se não houvesse amanhã. Será péssimo se você resolver “se permitir” e comer tudo que a festa oferece. Vai competir com aquela tia esganada do interior que guardou cajuzinho dentro do bolso da saia jeans. Não faça isso, você não vai se perdoar depois.

 

Encontro com o crush:

E quando você é convidado ou convida alguém pra jantar? É difícil no primeiro encontro com alguém que você quer conquistar ou impressionar chegar impondo regras. Mas a arte da conquista requer sacrifícios, então vamos as táticas:

O que fazer: Independente se você convida ou é convidado, tente escolher o local (sem criar desavenças) que tenham algo que lhe favoreça. Uma hamburgueria, uma churrascaria seriam ótimas opções. Se for sugerido uma cantina, diga, de boa, que não gosta de comer muita massa à noite e que isso tem causado desconforto em você. Tenho certeza que será descartado neste momento porque, se a intenção é que a noite seja longa, ninguém vai querer alguém passando mal à noite. Pelo contrário, né?

O que é aceitável: Pizzaria. Já que você não quer criar problemas com seu parceiro(a), vá na tal pizzaria, e coma apenas o recheio da pizza. Use a mesma justificativa de “não comer massas à noite” e deixe a massa. Isso não é a coisa mais saudável do planeta, mas ajudará a manter a linha mesmo que naquele momento isso não tenha muita importância.

Se você fizer, eu te mato: Conseguir ir ao local exato mas chegar lá e ficar explicando a fisiologia da insulina. Atenção, você quer impressionar e não se impressiona ninguém falando de bioquímica. Já que alguém aceitou suas condições, parta pra conquista. Esse é o foco. Sua insulina tá baixa, fica tranquilo(a).

 

Coffee break de evento (curso, exposição)

Também somos convidados a participar de eventos, treinamentos ou outras atividades relacionadas ao trabalho que são fora do horário. Nessas ocasiões, faz parte do jogo ter um coffee break durante os intervalos. E aí você já sabe né? Salgadinhos, mini-pães, refrigerantes e outras coisas.

O que fazer:  Olha, dos que eu participei, não há nada que tenha de bom pra nós. Muitas vezes, nem as bebidas. Nesse caso, a única opção é ficar na sala mesmo aguardando o retorno de todos. Como o intervalo é de 15 a 20 minutos, não vai ter tanto problema assim. Dizer pros colegas que vai ficar fazendo os exercícios ou que precisar fazer ligações é uma boa desculpa.

O que é aceitável: Participar. O networking nesses eventos é importante. Vá lá, faça uma social, tome uma aguinha e volte pra sala. Se tiver muito na vibe mesmo, pegue uma esfihinha ou um pão com alguma coisa. Se der pra tirar o queijo de dentro do pão, melhor ainda.

Se você fizer eu te mato(1): Ir lá e comer tudo que tiver direito. Lembre-se, isso é temporário e por pouco tempo. Por mais que tenha vontade, pense que o coffee break vai acabar logo. Geralmente nesse evento não tem nada que você já não tenha comido, logo, não vai lhe fazer falta.

Se você fizer eu te mato (2): Levar ovo cozido. Gente, não há coisa mais brega do que levar ovo cozido em evento. É cafona demais. Você não precisa passar por isso. Logo estará longe dali e poderá se alimentar do jeito que quer. Sinceramente, se fizer isso, nunca mais fale comigo.

 

Happy hour

É uma situação que ocorre com bastante frequência no ambiente de trabalho. As dicas são mais ou menos as mesmas do almoço de aniversário, com algumas pequenas diferenças:

O que fazer: A mesma. Tente participar da escolha do local. De preferência um local que você já conheça e que tenha suas predileções gastronômicas. Se o seu voto não conseguir ser suficiente, lembre-se que nem tudo está perdido. Peça porções saudáveis. Queijos, azeitonas, salames são ótimas escolhas. E nas bebidas, se quiser algo alcoólico, experimente uma caipirinha sem açúcar ou uma Vodka Ice.

O que é aceitável: É claro que você não vai toda semana nesses encontros, portanto, cabe alguma fugidinha pra dar uma chacoalhada no metabolismo. Quem nunca?

Nos petiscos, por exemplo, se quiser e couber na tua dieta, peça mandioca (aipim pra alguns) frita. Polenta também tá dentro da validade. Só não entre na onda de empanados, lanches ou porções com pães e óleos que não sabemos a procedência. Nas bebidas, até cabe uma cervejinha, desde que moderadamente.

Se você fizer eu te mato:  Nada de encher a cara. Se enfiar muito álcool na lowcarb ou na cetose, você corre o risco de dar um grandessíssimo vexame. Lembre-se, seu chefe pode estar no local e ele não vai esquecer de você errando a coreografia da macarena ou cantando no microfone que “nessa loucura, de dizer que não te quero, vou negando as aparências e disfarçando….” no karaokê. E isso pode ter consequências irreversíveis. Não brinque com isso, lowcarb e porre não combinam.

 

Autor:

Ralph Tacconi

  

Por gentileza, se deseja alterar o arquivo do rodapé,
entre em contato com o suporte.
%d blogueiros gostam disto: