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Cuidado com o Jejum e o Diabetes tipo 2 … em seus RATOS!

Patricia Tassinari

Mais um estudo sobre Jejum intermitente e mais uma vez o objeto em estudo foram: Ratos. Ok, ok… Vamos por partes, como Jack o estripador…

Nos humanos a técnica de Jejum intermitente é mais velha do que podemos imaginar, em 400 a.C, Hipócrates já tinha observado melhorias de casos de crises convulsivas em um homem ao parar de se alimentar. Mesmo na antiguidade além disso, os homens das cavernas com certeza passavam vastas horas em jejum antes de se alimentarem novamente.

Cada vez mais a técnica adquire adeptos e seguidores pelos infindáveis relatos que vão desde o controle da dieta e ansiedade até controle de diabetes e perda de peso.

O estudo recente apresentado no ECE (European Society of Endocrinology annual meeting), de 20.05.2018, está realmente perfeito… para os roedores. O estudo constatou que jejum intermitente – comer dia sim, dia não – por três meses diminuiu a massa de ilhotas pancreáticas e aumentou a resistência à insulina em ratos. Portanto você já sabe que não deve fazer Jejum intermitente em um rato. Essa informação é muito válida para caso você adotar um novo amiguinho na sua casa.

Ratos ou roedores são animais com uma atividade metabólica incrivelmente acelerada, e o organismo dele não foi designado a passar por períodos de não alimentação, pois se fossem, eles fariam isso de forma rotineira, como um cão ou gato, que não estando bem de saúde ou com alguma virose imediatamente a primeira coisa que fazem é: Parar de comer! Ou seja: JEJUM!

Nenhum mamífero, mesmo leões e predadores como cães e gatos, possui a capacidade de entrar em cetose tão rapidamente quanto o ser humano. Em 2 a 3 dias sem comer alimento que forneça energia imediata, pronto… o corpo acha seu meio de obter energia oriunda de um estoque que ele sabiamente preparou para estas ocasiões: a gordura corporal.  A gordura, falando em um português claro e entendível, é quebrada e desta se originam corpos cetônicos que são perfeitamente aceitos e utilizados por qualquer célula saudável do corpo e inclusive, pelo cérebro, que tem uma predileção por eles.

Ao iniciar o jejum intermitente, o ser humano em 2 a 3 dias está em plena cetose nutricional, bebês humanos em apenas horas, mas um roedor, um esquilo que seja ou até mesmo um urso não tem essa capacidade. A cetose não ocorre em todas as espécies da mesma forma e com os mesmos resultados. Um urso, mesmo que não coma por várias semanas, não entra em cetose! Curioso, não? Mas isso pode ter a ver com o tamanho e a demanda energética que o cérebro humano possui. Nós temos fome de energia e 20% de todo energia diária que entra no corpo é destinado às funções cerebrais, portanto, a cetogênese e a gliconeogênese é um sistema operante, normal e de defesa do corpo humano, mas o fundo seria mesmo de proteção da remessa de energia ao cérebro. Nós nascemos assim e um rato não.

Ratos são denominados roedores pois eles foram designados a “roer” o tempo todo, a comer o tempo todo e a ser acelerado o tempo todo. Um rato vive em media 2 a 3 anos. Eles não têm a capacidade de Jejum intermitente e nem a capacidade de entrar e sair de cetose como um ser humano tem, ou até mesmo um cão ou gato possuem.

O que temos em comum com cães e gatos? – SOMOS PREDADORES! O homem caçava para se alimentar nos primórdios e muitas dessas caçadas eram feitas sob jejum de até dias.

O que temos em comum com roedores? – NADA! Roedores são presas, por isso o que eles mais sabem fazer é comer, roer móveis e fazer ninhos para providenciar mais roedorzinhos (e nisso eles são muito bons!), e se esconder, o tempo todo. Até ao dormir esses amiguinhos são acelerados, a sua respiração é acelerada e se fossemos comparar isso à respiração de humanos seríamos considerados com taquipneia (aumento da frequência respiratória). Se não podemos comparar metabolismo, nem respiração e muito menos frequência cardíaca de um roedor com o nosso, por que comparar resultados de Jejum intermitente entre espécies tão diferentes?

Não se deve submeter um rato ao Jejum intermitente forcado, pois eles não foram designados a isso. Seria como dar carne forçadamente à uma girafa, ou gordura a coelho (acho que te faz lembrar outro estudo horrível, não?) ou fazer dieta vegetariana a um felino.

Fazer isso é esperar resultados negativos, esperar por malefícios e problemas. A notícia destes malefícios do Jejum aumentarem a chance de Diabetes tipo 2 é realmente estonteante e verdadeira… para ratos!

E o que mais me espanta é ver médicos e nutricionistas que parecem ter fugido da aula da Faculdade, olhando um estudo desses e dando como veredito na saúde de HUMANOS!

É claro que em roedores teremos diabetes tipo 2, pois eles não conseguem se auto regular como nós humanos fazemos. Ao entrar em jejum, os roedores aumentam a acidez do sangue e automaticamente começam até um processo de Cetoacidose metabólica… a tão temida no mundo dos diabéticos tipo 1 e alcóolatras humanos, por justamente perder esta capacidade de auto regulação. Se a glicose aumenta na circulação, o Diabetes se instala. Mas isso se vale para RATOS!

Essa auto regulagem já é possível em felinos e canídeos. Roedores não possuem esta capacidade. Eles foram feitos para comer o tempo todo e roer. Aliás, seus dentes incisivos crescem continuadamente, por todo seu tempo de vida. Muitas vezes, se um rato estiver impossibilitado de se alimentar, ele terá que ter seus dentes cortados para poder fechar a boca e não fazer feridas na gengiva. Mais uma comprovação de que eles não foram feitos para ficar em Jejum intermitente. O metabolismo e toda a estrutura deles não são iguais aos nossos.

Se quiserem provas de que jejum intermitente é benéfico ou não ao ser humano, basta olhar para trás. O jejum é natural ao ser humano desde os primórdios. Ou você realmente acredita que antes de uma caçada fenomenal o homem antigo fazia uma “boquinha” na caverna delivery “Bar das Pedras”, umas três cavernas ao lado da dele?

Jejum intermitente é tão natural ao ser humano ou a outro predador, como o roer o tempo todo e comer sem engordar é para os ratos. Na natureza, rato gordo com problema metabólico é presa fácil. Eles naturalmente comem muito, gastam muito e se mantém estáveis, até o homem aparecer com xarope de groselha e ficar fazendo estudo e comparando com humanos.

 

A doutora Patricia Tassinari é médica veterinária (doutorado em doenças metabólicas e obesidade em animais domésticos / Nutrologia Veterinária )

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Autora:

Patricia Tassinari Master Coach

   

 

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