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O mito da moderação

Teco Mendes

Essa é a frase que todos nós já escutamos: Você pode comer de tudo se comer com moderação. Não é uma frase linda em uma primeira olhada? A palavra “moderação” remete a equilíbrio, controle. O oposto de moderação é ser radical, extremo. E extremistas e radicais são aqueles que não queremos ter perto da gente. Mas essa frase, além de errada, faz muito mal para quem a ouve.

Primeiro é importante entender que as pessoas que tem um relacionamento ruim com comida não são somente os obesos mórbidos, mas para a maioria das pessoas, somente estes precisam ser considerados como pessoas que realmente precisam de ajuda. Se você está 10kg acima do peso, sem autoestima, vivendo entre comer sem controle e tentar compensar depois, etc., é só “comer menos e se exercitar mais”, “deixar de ser preguiçoso”, “é só querer de verdade” e finalmente a famosa “é só comer tudo com moderação”. Você pode até estar no peso tecnicamente ideal e ter muito problema com essa frase e viver triste em compulsão. E quem diz isso parece que ou está tratando as pessoas com falta de respeito, desconsiderando o fato de ela não conseguir ter moderação, ou então como ignorantes por até agora não ter percebido que engordaram porque em vez de comer só um bombom, comeram duas caixas quando terminaram um relacionamento e ficaram tristes ou em qualquer outro evento de ansiedade que recorrem ao açúcar como gratificação instantânea.

O açúcar e alimentos altamente processados são conhecidos pelo poder viciante como qualquer outra droga ou comportamento que ativa a área de recompensa do cérebro com gratificação instantânea e liberação de endorfinas. Cigarro, álcool, jogo, compras compulsivas, crack, etc. Nem todos se viciam, mas aqueles que perdem o controle com frequência e quantidade das substâncias, não é dizendo para consumir menos, com equilíbrio, que se resolve o problema.

Seria fácil assim, não é mesmo? Na primeira reunião de alcoólicos anônimos o coordenador chega para sala e diz que estão todos aqui com problemas familiares, no trabalho e de saúde porque estão bebendo em excesso. É só beber um ou dois choppinhos no fim de semana com os amigos e parar por aí. Depois manda todos embora porque o problema está resolvido. Moderação é o segredo.

Não parece óbvio demais a falácia da moderação? Eu por exemplo não bebo, terei que beber dois choppinhos para ter moderação? Ou quem está tomando remédio que não pode misturar com álcool, tem que tomar dois choppinhos? Vou usar um exemplo que discuti com uma coachee uma vez. Perguntei se ir em uma festa de criança e comer apenas dois brigadeiros seria um comportamento ideal. Sim! Ela respondeu. E eu continuei. E se eu não gostar de brigadeiro? Aí não. E se eu estiver de jejum para um exame de sangue que terei no outro dia? Aí não. E se eu tiver alguma alergia? Aí não. E se eu for diabético? Aí não… E se eu tiver um relacionamento ruim com açúcares e doces e principalmente com brigadeiro, que me remete a associações com infância que me faz sentir um vazio que só é preenchido se eu começar a comer compulsivamente até eu sentir raiva de mim mesmo, fraco, sem autoestima e infeliz, e colocar vários progressos de autoconhecimento e superação a perder comendo algo que não preciso na minha vida, não tem benefícios para saúde além de uma falsa sensação de fazer parte de um grupo que eu erroneamente considero “normal e equilibrado”, sendo que nem estou reparando em quem não come brigadeiro porque simplesmente não gosta de doce? Essa deixo você responder.

Então essa “moderação” não está só na cabeça de quem fala e também criando crença para quem escuta. Um drogado não é orientado a fumar uma pedrinha de crack de vez em quando, mas você quer passar de não ter o controle para conseguir fazer o que precisa ser feito para conseguir consumir com controle aquilo que te fez mal a vida inteira. O foco está errado. Assim você quer resolver o sintoma que é o ganho de peso sem tratar a causa. Ou o que é pior, tratar tudo com aberturas de exceções, dias do lixo, que te mantém com um foco no que devia ficar no passado. Consegue por um tempo com muita força de vontade e engorda tudo de novo no efeito sanfona. Você não consegue um novo estilo de vida endeusando o estilo de vida antigo que te trouxe infelicidade. Como em um relacionamento, que você não consegue ser feliz em um novo se ainda acha o ex namorado, que só te fez mal, o máximo, e querendo flashback ora ou outra, ou na Páscoa, aniversário, viagens. Eu sei que parece difícil imaginar ser feliz sem todas essas muletas alimentares que você tem hoje, mas você não sofre por não gostar daquilo que você já não gosta. Não sofre por aquele ex que achou que nunca iria esquecer. E dá sim! Não é à toa que meu livro chama-se “Pare de Gostar do que te faz mal”. Essa é a ideia para uma solução definitiva. Sem auto piedade, com maturidade, aceitação e muita estratégia para cuidar de todos aspectos que fazem parte do processo como hábitos, rotinas, conscientização. E claro que no futuro você pode considerar flexibilizar em algo quando você estiver no controle do que entra na sua boca, saudável e no peso ideal. Isso é super individual. Pode ser que algo que tenha um peso enorme pra você hoje, não signifique nada no futuro. Mas aí, é você que vai considerar. O que você precisa fazer até lá é decidir passar pelo processo e entender que não somos uma máquina que pegamos uma lista de alimentos proibidos e permitidos e tá resolvido.

Eu até lembro quando li em 2012 o primeiro livro de alimentação Paleo/Lowcarb focado na forma que evoluímos para se alimentar e que é o propósito desse blog. Tudo parecia muito lógico e com muita base científica, mas quando eu terminei o livro eu pensei: “O autor deve estar convencido que com tanta informação eu agora odeio fast food. Mas eu odeio que eu AMO fast food”. Mas eu resolvi isso e você vai resolver também.

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Teco Mendes

Sendo Radical em me livrar de tudo que me faz mal 🙂

 

Autor:

Teco Mendes – Sendo Paleo

 

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