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Dietas Paleo/Low Carb são para emagrecer?

Eduardo Filgueiras Senra

Sou uma das poucas pessoas que conheço que aderiram a estas estratégias como estilo de vida, para alcançar uma boa saúde e não para emagrecer.

Mas afinal, a quem se destinam estas estratégias?

Bem, partamos do princípio que a dieta paleo era, em vida livre, vivendo como caçadores coletores, a mais “engordativa”, na era pré agricultura.

Caso houvesse alguma mais eficaz para nos fazer reter reservas e portanto “engordar” (minimamente que fosse), a vantagem seria desta outra forma de se alimentar (obviamente, se ela nos desse maior vantagem em sobreviver e deixar descendentes).

A questão é que a abundância alimentar, na era paleo (de 2,6 milhões de anos até o domínio da agricultura, há cerca de 12 a 8,5 mil anos atrás) era uma raridade ao longo da vida e portanto, o volume total de calorias ingeridas (variava conforme a estação do ano) era, em média, restrito.

No mundo natural, ser obeso era aumentar a chance de ser predado (menor agilidade) ou ter dificuldades em conseguir alimentos, quer seja caminhando por longas horas, ou mesmo subindo em árvores ou escalando montanhas.

Uma das teorias científicas defendidas é a de que uma das lógicas por trás da resistência insulínica, na sua versão aguda, diria respeito à um mecanismo de defesa orgânico, contra a obesidade, em seu início, em outras palavras, uma resistência à obesidade.

Seria como se a célula dissesse ao corpo que está repleta, cheia de energia estocada.

Com seu agravamento e persistência (versão crônica), a invasão desta “energia”, sob a forma de gordura ectópica, isto é, depositada fora do local preparado para recebê-la (tecido adiposo), começaria a depositar-se nas vísceras e até nos vasos sanguíneos (Aterosclerose).

O exemplo mais conhecido é o da famosa gordura no fígado (Esteatose hepática), mas ela também se infiltra em outros órgãos, como o pâncreas, músculos e mesmo o coração, gerando a produção de substâncias inflamatórias que agravam a resistência insulínica, que por sua vez, exige a produção excessiva de insulina (Hiperinsulinemia) para manter a glicemia normal, gerando maior dificuldade de perder os estoques de gordura e facilidade em engordar cada vez mais (círculo vicioso).

Esta produção excessiva de insulina pelo pâncreas gera um desgaste nas células beta pancreáticas, culminando anos depois (7 a 15 anos) em um diabetes.

Portanto, o que nos era favorável, se torna um dos grandes fatores por trás de muitas das doenças crônicas não transmissíveis (diabetes, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, esteatose hepática, câncer e etc.).

Vivemos hoje, um período de abundância alimentar, quer seja calórica e até mesmo em termos de micronutrientes, que daria inveja à qualquer era da história humana.

Pensando na diversidade de alimentos de qualquer origem, por exemplo, carnes, queijos, gorduras ou óleos, carboidratos (incluindo os açúcares, frutas, raízes, massas, etc.), temperos e bebidas, nossas possibilidades gastronômicas fariam inveja a muitos reis e rainhas na idade média.

Vamos tentar então responder à questão colocada no título.

Afinal, estas estratégias emagrecem?

Tudo vai depender da quantidade calórica ingerida.

Sim, calorias são importantes e o balanço energético ainda prevalece, porém estas questões não são tão simples como podem parecer e como nos fizeram crer, durante tantos anos.

No meu outro artigo (A verdadeira dieta humana), explico, em detalhes, que a dieta paleo, em vida livre, tende a ser low carb, pois a densidade de carboidratos, em alimentos naturais é muito baixa, se comparado ao mesmo alimento, após o refinamento.

Precisaríamos consumir grandes quantidades de carboidratos naturais para equivaler, em quantidade e calorias, aos refinados!

Esse, aliás, é o “pulo do gato” para engordar. A indústria refina, acentua o sabor, através da adição de açúcares e/ou sal, eventualmente, realçadores de sabor, acrescenta gorduras e está pronta a receita da compulsão e da dependência.

Outra questão que se impõe diz respeito à insulina, um hormônio hipoglicemiante, reconhecidamente anabólico do tecido adiposo, muscular e ósseo, com predominância do primeiro e que pelo seu potencial efeito hipoglicemiante, que é mais comum nos que ingerem açúcares simples, tende a manter o indivíduo sempre “com fome”.

Revisões sistemáticas e meta-análises, já nos mostraram o potencial inverso em uma dieta cetogênica1, isto é, inibindo o apetite.

Concluindo, a dieta LOW CARB tende a ser superior em termos de perda de peso, pois ensaios clínicos randomizados apontam neste sentido ou apontam eventualmente uma equivalência, mas nunca apontaram inferioridade.

Mas destaco que, em vida real, ela tende a ser mais sustentável no longo prazo se adotada como estilo de vida.

Observação: Se você já está pré-diabético ou mesmo diabético, a LOW CARB é para você!

E a paleo, emagrece?

Entendo a paleo, do ponto de vista evolutivo, a melhor estratégia nutricional, para a espécie humana, pois foi aquela com a qual evoluímos e a que nossos genes estão mais adaptados.

Para pessoas obesas, entrar na paleo, via de regra, o levará à uma perda de peso, mas dependendo do quanto se come, este objetivo poderá não ser atingido. Porém, a chance de que isto ocorra tenderá a ser maior do que seguindo as diretrizes nutricionais vigentes.

Mas lembremos que a abundância alimentar atual nos permite exagerar até nos alimentos corretos.

Portanto, alimentando-se nestas linhas (PALEO/LOW CARB), suas chances de emagrecer serão maiores e se você não está acima do peso, sua chance de não engordar certamente será maior.

 

Referência:

(1) Do ketogenic diets really suppress appetite? A systematic review and meta-analysis

 

Autor:

Dr. Eduardo Filgueiras Senra

  

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