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Uma revisão necessária: prevenção em doença cardíaca

José Carlos Brasil Peixoto

No dia 13 de novembro de 2017, durante um evento da mesma entidade que representa, o presidente da poderosa Associação Americana de Cardiologia (AHA) sofreu um ataque cardíaco. O médico John Warner precisou de um tratamento hospitalar, quando fez a aplicação de stents, um tipo de tratamento padrão e se recuperou. Bem, talvez ninguém esteja livre de ataques cardíacos, nem mesmo um homem de 52 anos, que milita na área que supostamente deveria lhe prestar a melhor proteção, mas que ainda assim lhe deixou exposto ao evento cardíaco.

No dia a dia, uma boa parte das pessoas que atendo regularmente vem a consulta com a perspectiva de fazer exames preventivos e obter informações sobre medidas para evitarem tais enfermidade, uma vez que nossa sociedade acredita que pode haver efetiva prevenção.

Mas quando temos a noticia de o presidente de uma entidade tão importante, que provavelmente tem acesso a toda a informação mais atualizada, mas inobstante não consegue deixar de ser mais número nas estatísticas, isso pode soar muito desanimador.

Talvez não!

Um outro cardiologista com bastante reconhecimento publicou uma “carta aberta” lamentando o ocorrido e ao mesmo listando uma série de questões sobre as diretrizes mais conhecidas na questão das medidas concernentes à doença cardíaca, e que valem para uma boa parte das enfermidades que afetam e muitas vezes matam os adultos na sociedade atual, como reduzir consumo de gordura saturada, manter níveis saudáveis de colesterol, etc.

O dr. William Davis, muito conhecido pelo seu livro “Barriga de Trigo”, argumentou que muitas coisas podem ser feitas de forma diferente, criticando a postura da AHA, que parece mais incentivar aos números dos tratamentos e uso de medicações do que no número de pessoas que ficam saudáveis e eventualmente sem remédios ao se submeterem às suas diretrizes. (Link da carta ao final)

Assim existiriam outras estratégias que poderiam ser colocadas em prática e que de fato poderiam proteger as pessoas.

Mas enfim, é possível se fazer alguma coisa ou estamos diante de algo meio inevitável? Afinal temos sido advertidos há décadas de que cuidados alimentares e de estilo de vida são protetores e isso não resultou em melhores resultados. Pelo contrário, o número de pessoas em tratamento para doenças cardiovasculares não para de aumentar.

Pesquisadores de vanguarda e estudos recentes tem mostrado que podemos ter trilhado um caminho de insucesso.

Por exemplo: uma pesquisa publicada em 2016, no International Journal de Cardiology, mostrou que a medida de taxas elevadas de insulina é o melhor preditivo contra novos eventos cardíacos, comparando com todos os indicadores usualmente utilizados nos exames de rotina. Esse estudo também aponta para o fato da insulina participar do próprio mecanismo do ataque cardíaco.

Por isso podemos dizer que a melhor maneira de se cuidar contra um infarto ou mesmo melhorar a pressão arterial é ter como alvo manter uma taxa baixa de insulina. Na prática o melhor a fazer é comer menos carboidratos, especialmente o amido e o açúcar! Além de controlar o peso, e oferecer outras vantagens, uma dieta “low carb” pode até reduzir a necessidade de uso de medicações. Simples e promissor. Talvez algo que o dr. Warner não tenha cuidado ou valorizado o suficiente.

 

Referências:

Carta aberta do Dr Willam Davis:

http://www.wheatbellyblog.com/2017/11/open-letter-dr-john-warner-president-american-heart-association/

Artigo do International Journal of Cardiology:

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0167527309015290

 

Autor:

Dr. José Carlos Brasil Peixoto – Lipidofobia

      

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