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Sobre o estudo DIETFITS Trial

Pedro Schütz

Olá amigos do Saúde Ancestral. Muita honra em poder me comunicar com vocês.

Para quem não me conhece, trabalho como cirurgião-dentista no Rio Grande do Sul, e sou um entusiasta da ciência paleo/primal. Tenho um blog, o www.cienciaschutz.blogspot.com.br, onde coloco algumas ideias sobre o tema, ajudo o Dr. Souto na mediação do seu blog e administro a lista de profissionais low carb.

Bem, o final do mês de fevereiro foi literalmente sacudido por um novo estudo clínico randomizado, que foi conduzido pelo Dr. Christopher Gardner da Universidade de Stanford em conjunto com os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH) e a Iniciativa de Ciência da Nutrição (NuSI) com uma equipe de especialistas em nutrição. (Leia mais sobre isso AQUI)

Este estudo testou se as diferenças na genética ou na produção de insulina poderiam ajudar a prever o sucesso da perda de peso em participantes que realizam uma dieta com baixo teor de gordura ou com baixo teor de carboidratos por um ano.

E o resultado foi um empate técnico!

Detalhe do estudo que ao meu ver foi o que fez toda a diferença: os participantes eram SAUDÁVEIS e foram instruídos a seguir uma alimentação no estilo paleo/primal, ou seja, muitos vegetais, pouco ou nenhum açúcar ou farinhas refinadas, alimentos densos em nutrientes, não processados ou ultra-processados, não gorduras trans. No fim do estudo, os participantes já não seguiam na prática as recomendações de serem low carb ou low fat de verdade. Este fato pode ter aproximado os resultados.

Sempre batemos na tecla que a PRIMEIRA medida para quem busca saúde metabólica/perda de peso seria adotar uma dieta paleo/primal, e agora, low crap.

Low carb é para quem precisa, ou seja, síndrome metabólica, resistência à insulina ou diabetes 2 (pessoas intolerantes a carboidratos).

Isso é indiscutível. Estudos da mais alta qualidade comprovam.

Para as pessoas com boa flexibilidade metabólica, já mostravam os estudos de Ebbeling, 2007, (prospectivo, randomizado, com duração de incríveis

18 meses e com 73 participantes) a low fat trazia bons resultados também. A questão sempre era a fome e a restrição calórica proposital. Secundariamente, mas importante também, para que a dieta possa ser seguida, palatável!

Pois este novo estudo demonstrou que se atendida a fome principalmente, a low fat pode trazer também bons resultados.

E isso somente seria conseguido com densidade nutricional de uma alimentação paleo/primal/low crap. E foi o que aconteceu. As pessoas do grupo low fat conseguiram diminuir calorias não de forma intencional, e sem fome. Com isso, conseguiram igualdade com o grupo low carb, que já é sabido a tempos, se caracteriza justamente pela diminuição da fome, e consequentemente menos calorias são consumidas, e peso acaba diminuindo. Comendo comida gostosa, ou seja, sustentável a longo prazo.

O que fica então:

Não devemos considerar o resultado de um estudo isoladamente, mesmo que muito bem feito, sem valorizar toda a evidência já produzida. Esquecer o passado é um erro!

O Dr. José Neto fez uma frase recente sobre o assunto, que achei sensacional, e vale a pena colocar:

Low fat pode até funcionar para alguns, mas definitivamente a low carb me parece mais factível de ser seguida, sem contar que o sabor é definitivamente insuperável, ou você vai me dizer que pão integral com ricota é melhor que ovos na manteiga com pedacinhos de bacon? Certeza que alguns dirão que sim, mas como bem disse Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar.”

Até a próxima!

 

Autor:

Pedro Schütz – Ciência Schutz

   

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