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Seu diagnóstico de diabetes está correto?

Raquel Benati

Sabemos que a maioria das pessoas que recebe um diagnóstico de diabetes, é informada de que tem Diabetes tipo 2. No entanto, muitas pessoas relatam terem recebido o diagnóstico de diabetes tipo 2 tendo feito apenas exames que levam em conta a glicemia em jejum alterada ou a hemoglobina glicada, por exemplo, sem fazer outros exames adicionais. Qual o problema disso?

A principal característica do diabetes tipo 2 é a hiperinsulinemia – insulina alta – ou seja: Resistência à Insulina! Você recebeu um diagnóstico de Diabetes Tipo 2 e seu médico nunca pediu um exame de INSULINA???

Podemos ter diabéticos tipo 2 com sobrepeso ou obesos, como também com peso normal ou magros! Se o diagnóstico de diabetes tipo 2 é dado levando em conta apenas a idade, o peso e os níveis de glicose, sem medir a insulina, corre-se o risco desse diagnóstico estar equivocado.

Por que é tão importante ter um diagnóstico correto?

Porque tanto a medicação indicada, quanto o tipo de acompanhamento médico, são diferentes.

Para exemplificar, uso um relato de caso de uma revista médica americana:

“Uma mulher de 69 anos, que vivia com diabetes há mais de 40 anos, foi atendida na emergência com poliúria, polidipsia, mal-estar e hiperglicemia. Sua história médica incluía um acidente vascular cerebral em 2009, dislipidemia (colesterol, HDL, LDL, triglicerídeos alterados), hipotireoidismo. Para o controle de seu diabetes, ela tomava uma combinação de insulinas de ação rápida e longa por mais de 30 anos e começou a tomar Jardiance (SGLT2i) aproximadamente 6 meses antes. Seus outros medicamentos incluíam atorvastatina, pantoprazol, levotiroxina e gabapentina. Seus sintomas começaram durante uma infecção do trato respiratório superior, que estava se resolvendo. Não houve evidência clínica ou radiográfica de pneumonia. Ela foi reidratada e recebeu insulina subcutânea durante a noite. Na manhã seguinte, ela havia melhorado o suficiente para ter alta e houve recomendação para aumentar as doses de insulina injetável. Dias após esse episódio, ela precisou de ser internada novamente por causa de um novo quadro de hiperglicemia. Os exames feitos e os valores laboratoriais desta paciente foram altamente sugestivos de cetoacidose diabética. No entanto, a paciente foi diagnosticada como tendo diabetes tipo 2 e, embora a cetoacidose seja possível no diabetes tipo 2, é muito raro. Antes desses dois episódios, ela nunca havia tido um episódio de cetoacidose.

Durante as suas 2 visitas à emergência hospitalar, muitos médicos confirmaram que a paciente tinha diabetes tipo 2 com base em sua idade e índice de massa corporal, sem investigar mais a fundo a sua doença crônica. Quando a vimos em uma consulta para a cetoacidose diabética, descobrimos que seu diagnóstico inicial de diabetes tipo 2 foi dado aos 25 anos. Com uma história mais detalhada e exame físico, descobrimos que ela teve 3 doenças autoimunes: vitiligo, anemia perniciosa e hipotireoidismo. Essas pistas levaram nossa equipe a questionar o diagnóstico presumido da paciente, de diabetes tipo 2, e considerar a possibilidade de que esta paciente tivesse diabetes latente autoimune de adultos (LADA), um subtipo de diabetes tipo 1.

Para a paciente, embora a infecção respiratória possa ter desempenhado um papel no desencadeamento da cetoacidose inicial, especulamos que o Jardiance (SGLT2i) estava envolvido, já que essa paciente que vivia com diabetes há mais de 40 anos nunca teve episódio de cetoacidose antes de começar este novo medicamento.

Esses medicamentos inibem os principais transportadores de glicose de sódio no rim, impedindo a reabsorção de glicose da urina. Atualmente, eles só são aprovados pela US Food and Drug Administration (FDA) para o tratamento da diabetes tipo 2, devido à sua segurança e eficácia não terem sido estabelecidas no diabetes tipo 1.

A cetoacidose, muitas vezes com um nível de glicose relativamente normal e concentrações de cetona urinária potencialmente mais baixas em comparação com a cetoacidose sem SGLT2i, é um efeito colateral cada vez mais reconhecido, que pode ser mais comum em pacientes com diabetes autoimune subjacente.”

Embora em todos os tipos de diabetes uma alimentação com base em comida de verdade, com menor teor de carboidratos (low carb), seja a forma mais eficiente para manter o controle da glicemia, o tipo de controle e a medicação a ser usada depende do diagnóstico correto.

Conhecer a capacidade do seu corpo de produzir de insulina é muito importante. Isso faz toda a diferença na escolha da terapia a ser seguida (quando o uso de medicação é suficiente e quando é necessário usar insulina injetável) e poderá salvar parte da função de seu pâncreas, assim como evitar situações onde a hiperglicemia te leve a quadros de cetoacidose ou a hipoglicemia chegue a níveis perigosos, além de comprometimentos micro e macrovasculares.

Estar com a glicemia fora de controle nem sempre quer dizer que a pessoa tem insulina alta (hiperinsulenemia). Pode ser justamente o contrário – o pâncreas já está com problemas e produzindo pouca insulina. Se a dieta feita corretamente já não dá o resultado esperado e você já está tomando 3 tipos diferentes de medicação para tentar controlar a glicemia, e ela só continua aumentando, você pode ter, na verdade, diabetes autoimune do tipo LADA, e não diabetes tipo 2. Ou pode ser que o seu pâncreas já esteja esgotado. Para saber isso é necessário fazer os exames corretos.

Veja o quadro abaixo: nele estão listados os exames adequados para diagnóstico de diabetes em jovens e adultos.

O diabetes tipo LADA (diabetes autoimune latente do adulto) pode apresentar características tanto do diabetes tipo 1 (destruição das células beta do pâncreas pelo próprio corpo), quanto do diabetes tipo 2 (pode ter algum grau de resistência à insulina, doenças cardiovasculares, e certo nível de controle da glicemia com dieta e medicação). Existem diabéticos tipo LADA com sobrepeso.

Se você tem doença autoimune ou tem pessoas na família com doença autoimune, existe a possibilidade do seu diabetes ser tipo LADA, e não tipo 2.

Qual a importância de saber isso?

Se você é tipo LADA, uma dieta low carb + atividade física + jejum intermitente pode te ajudar a poupar seu pâncreas, mantendo você mais tempo longe da necessidade do uso da insulina injetável. Ou, se precisar da insulina, as dosagens poderão ser bem mais baixas do que geralmente os diabéticos tipo 1 necessitam. A medicação indicada, nesse caso, é específica. O objetivo é sempre proteger a função residual das células beta do pâncreas.

Se você realmente tem diabetes tipo 2, então você precisa muito, muito mesmo, saber da sua insulina! Isso mesmo – você tem que medir sua insulina junto com seus exames de rotina. Por que? Para ver se você está conseguindo diminuir a sua resistência à insulina! Ela é o seu foco, a sua meta! Se conseguir diminuir o nível de resistência à insulina, vai conseguir controlar a glicemia e preservar o seu pâncreas! (Obs.: Se você já usa insulina injetável, vai precisar medir o peptídeo C, pois assim poderá saber como seu pâncreas está funcionando).

Algumas pessoas que têm diabetes tipo 2 acabam chegando ao quadro onde, além de medicamentos orais, precisam usar insulina injetável. Por que? Uma das razões pode ser o fato da pessoa continuar com uma dieta carregada de carboidratos refinados ou integrais e produtos industrializados, acreditando que ao tomar a medicação recomendada pelo médico está fazendo “a sua parte” no tratamento. O que acontece, nesse caso, é que a pessoa continua com resistência à insulina alta, fazendo o pâncreas trabalhar até à exaustão. Quando o pâncreas não consegue mais produzir insulina suficiente, o paciente diabético tipo 2, então, passa a precisar de insulina injetável para conseguir baixar a glicemia.

Tanto os medicamentos, quanto a insulina injetável, sozinhos não fazem milagre. Não melhoram a doença, uma vez que a resistência à insulina continua aumentando, pois a sua dieta continua alta em carboidratos e você está comendo de 3 em 3 horas. E com o uso da insulina injetável o risco de hipoglicemia aumenta. Os riscos micro e macrovasculares permanecem. E a tendência é o paciente progressivamente precisar cada vez mais de insulina injetável. Nesse cenário, é certo que vamos ver as neuropatias e outras sequelas do diabetes aparecerem. Feridas que não cicatrizam, ombro congelado, perda da visão, amputação de membros. O cenário não é bom. Por isso você precisa entender, estudar e aprender a respeito para poder decidir qual o melhor caminho para recuperar a sua saúde.

Conhecimento é poder!!! Empodere-se!!!

 

Autora:

Raquel Benati – Rio Sem Glúten

   

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