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Por que o uso de adoçantes não auxilia o emagrecimento?

Patricia Tassinari

O que nosso cérebro entende ao se consumir algum alimento com adoçante para mascarar a vontade de doces.

Foto: hypescience.com

Quem nunca cometeu o ato de, ao se ter uma vontade avassaladora de comer um doce, atacar um doce low carb ou alguma bebida com o uso de adoçante artificial? Em uma visão a nível cerebral, o sinal emitido despertando a vontade de comer um doce é porque o cérebro espera sempre uma “recompensa”. O cérebro não entende o que você está planejando, pois ele sempre está a seu favor e nunca contra. A sinalização da “necessidade” de se comer um doce, é devido a um hábito que você mesmo criou, de que sempre que está insatisfeito, cansado, estressado, o doce te conforta; ou quando está feliz e contente você comeu um doce para “comemorar” algo. O gatilho, é a emoção do momento, a recompensa é a sensação de bem-estar e conforto momentâneo que a glicose fornece. O seu cérebro sempre espera o melhor para você, e te confortar e te deixar mais feliz são opções que ele busca. A cada vez que consumirmos algo açucarado, a seguir vem a recompensa: a Glicose. É um looping do hábito: é dado o sinal após algo acontecer (cansaço, estresse, etc.) ou ser dado o gatilho. A seguir, a pessoa consome o doce, o cérebro recebe o sabor doce e logo chega a recompensa, que é a glicose e esta faz com que serotonina seja liberada, produzindo bem-estar. Ao receber a recompensa, dependendo do hábito vinculado e ao controle pessoal, o cérebro pode “pedir” mais doce (neste caso devido a acionadores hormonais como insulina), ou simplesmente se acalmar após a recompensa recebida (pela ação de serotonina, dando bem-estar). No caso de um alimento adoçado artificialmente, não importando o tipo do adoçante, se é sucralose, estévia, xilitol ou eritritol, o cérebro se confunde, pois, o sabor doce chega após a sinalização, mas a glicose, que é a recompensa, não! Ao tentar driblar esse sinal consumindo um alimento com adoçante, o seu cérebro não entende o porquê a glicose não chega e emite outro sinal, desta vez mais forte e intenso, pois ele está certo que você não deve ter entendido bem o sinal enviado. Ele quer desta vez ter a recompensa prometida pelo sabor doce.

A pessoa que come um doce com adoçante acaba dando um tiro no próprio pé: Ela tem vontade de comer um doce, come um doce low carb (o que muitas vezes significa mais rico em gorduras, sendo assim mais calórico), o cérebro não recebe a glicose e manda outro sinal mais forte. Neste momento a pessoa se rende e acaba por comer o doce feito com açúcar, após ter consumido o doce com adoçante. Para qualquer pessoa sem muito autocontrole, isso pode atrapalhar uma dieta de perda de peso. O que acontece muitas vezes, é que as pessoas reclamam de “compulsão” por doces, em dietas com muitas receitinhas e com uso de adoçantes, ao mesmo tempo, dando desculpas de que com adoçante não “engorda” e não tem calorias. Essa indicação médica é correta a nível fisiológico. Realmente, eles não têm calorias. Mas a nível comportamental influencia. Por esse motivo que muitos diabéticos acabam atacando doces, mesmo tendo os adoçantes como uma constante em suas dietas.

Neste caso, a condenação do uso de adoçantes não é pelo fato de um produto como esse acionar ou não a produção de insulina ou provocar respostas hormonais de saciedade ou fome, e muito menos pela natureza do adoçante, se ele é mais químico ou não que o outro,  mas sim pelo fato de seu cérebro não conseguir entender o que você quer fazer, pois para ele, se você consome algo com sabor doce é para ter a recompensa na forma de glicose. Ele não compreende o sabor doce sem a glicose.

Para fugir de uma situação como essa, ileso do aumento da vontade de consumir um doce (cravings), o ideal a se fazer é trocar o paladar: Ao se ter a vontade de consumir algo doce, consuma algo azedo, picante, amargo ou até mesmo salgado. Assim, seu cérebro não “pensa” nada e não espera por recompensa alguma, pelo fato de não se ter vinculado recompensas a esses paladares. A melhor saída, ainda continua sendo o uso do bom e velho café amargo (sem açúcar!). Ao consumir o café amargo e forte no momento de uma vontade por doces, o cérebro pensa: “Brincadeira sem graça essa…eu pedi doce e ele me dá esse amargor todo, sendo assim, não vou pedir mais!” e a vontade se aquieta. Nós humanos fomos agraciados com o poder de apreciar 5 paladares diferentes: doce, salgado, amargo, azedo e picante. Como o açúcar é viciante, é muito mais fácil para nosso cérebro associar recompensas com o paladar adocicado, e a troca desse hábito, como tudo, é uma questão de treino. Treinar o consumo de café amargo depende de persistência e repetição. Consumir por 5 a 10 dias e não voltar o hábito de se adoçar, pois se somente por 1 ou 2 dias você desistir e tomar um café com açúcar no intervalo, a troca do hábito não acontecerá. Nós nos acostumamos rápido àquilo que nos gera conforto, por isso precisamos de muitos dias para trocar um hábito desses por outro, mas para retornar o hábito do açúcar é preciso apenas 1 dia. Outros alimentos também podem ajudar, como nibs de cacau, chocolate 99% cacau – dentro dos paladares amargos, e água com limão ou com vinagre de cidra – dentro dos paladares azedos. Bom treino!

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Autora:

Patricia Tassinari Master Coach

   

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