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O Jejum intermitente poderia fazer você comer demais na janela de alimentação?

Pedro Schütz

O Jejum intermitente poderia fazer você comer demais na janela de alimentação?

Essa é uma pergunta que ouço bastante de pessoas curiosas em iniciar esta prática.

E é lógica! Será que de forma espontânea, não acabaríamos comendo na janela de alimentação a quantidade de alimentos não ingeridos no momento do jejum, ou sentindo mais fome no momento de se alimentar?

A resposta é que acabamos sentindo MENOS fome ainda na janela de alimentação. O que é ótimo, EU diria.

Isto foi comprovado por dois estudos sequenciais, de coorte (1), de Harvey et al. (2), que investigou os efeitos, a eficácia e o mecanismo por trás da “restrição de energia intermitente” (IER), ou seja, adotando um esquema de JI conhecido como 5:2, reduzindo a ingestão de energia por 70% em dois dias consecutivos, e por cinco dias, uma dieta mediterrânea suficiente em energia (no estudo 1), por seis meses!

No segundo estudo, mulheres com sobrepeso fizeram o esquema 5:2 também, mas nos dias de restrição, menos energia consumida e low carb (<50gramas líquidas de carboidratos), por 4 meses.

A ingestão de energia foi avaliada nos dias de JI e nos dias sem restrição, em especial no dia anterior ao início do jejum, e no dia posterior.

No que diz respeito ao jejum em si, 70% das mulheres no estudo 1 e 79% no estudo 2 aderiram ao seu horário de jejum individual e realizaram dias consistentes de restrição por semana (realizável, portanto).

Qual foi o resultado?

A ingestão de energia relatada foi REDUZIDA nos dias SEM restrição no estudo 1 e 2, por 20% em média, do que deveria ser ingerido (avaliação prévia e aconselhamento de consumo), e de forma similar, nos dias especialmente avaliados, ou seja, um dia antes e um dia depois da restrição.

Todos os participantes perderam peso, na faixa de seis quilos ao término dos estudos.

Bem, o motivo da redução espontânea da ingestão de energia em dias de NÃO jejum merece mais investigação, segundo os autores, mas algumas conclusões são oferecidas:

1- O consumo de energia reduzido pode ser devido a aspectos comportamentais de seguir um JI como parte de um programa de perda de peso;

2- Relatórios anedóticos de indivíduos nos dois ensaios relatados sugerem que o JI pode tornar os indivíduos mais conscientes das suas ingestões e hábitos alimentares;

3- Aumentar a conscientização sobre o apetite e a fome e garantir que eles possam funcionar adequadamente durante dias restritos sem a necessidade de energia extra nos dias de entorno.

Um ponto forte dos estudos foi que estes se realizaram em uma situação de mundo real, e não em laboratório. Assim, os dados fornecem um melhor reflexo dos comportamentos alimentares quando as pessoas estão seguindo JI.

Infelizmente, os resultados deste estudo não podem ser generalizados para todos, como indivíduos magros com muito menos gordura corporal para usar como energia, por exemplo.

Afinal, o JI é uma bela ferramenta de perda de peso.

E mais, talvez jejuar seja um instinto animal para o tratamento natural de doenças. Talvez o nosso corpo esteja pedindo que não o perturbemos com alimentos, para que ele concentre suas forças em combater a doença e não precise gastar “tempo e energia” com a digestão, por exemplo.

Lembrando também da questão hormonal, alguns destes têm seus efeitos potencializados e outros bastante reduzidos durante o jejum.

O Hormônio de Crescimento, a Noradrenalina e o Cortisol (hormônios contrarregulatórios) aumentam e a Insulina cai muito, apenas para exemplificar de forma resumida.

Até a próxima!

 

Referências:

(1) http://cienciaschutz.blogspot.com.br/2017/11/evidencias-cientificas-e-seus-niveis.html

(2) http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/fsn3.586/abstract

 

Autor:

Pedro Schütz – Ciência Schutz

   

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