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A Verdadeira Dieta Humana

Eduardo Filgueiras Senra

Há cerca de 7 milhões de anos atrás, um espécime comum a nós humanos e os chimpanzés, nossos parentes mais próximos, iniciaria a trajetória que culminaria no surgimento do Homo sapiens sapiens.

O que nos fez evoluir para o que somos?

Primeiramente destacaria o clima da região africana, mais especificamente na África oriental, no vale do Rio Rift.

Esta região, passou por um processo gradual de desertificação, levando ao ambiente que hoje conhecemos como savanas africanas.

Antes disto, eram regiões florestais que abrigavam grandes primatas sem rabo, chamados de “Apes” em inglês.

Os primatas que continuaram nas regiões que ainda são florestas, vivem bem adaptados e foram moldados como chimpanzés e gorilas.

Os que, por circunstâncias climáticas, ficaram nas savanas, foram moldados pelo clima e pelos recursos alimentares disponíveis nesta nova realidade que se impunha.

Surge o primeiro espécime do gênero Homo, o Homo habilis, há cerca de 2.6 milhões de anos, (inicia-se a famosa Era Paleolítica, que terminaria com a introdução da agricultura).

Ele que se destacaria pela habilidade de confeccionar ferramentas que nos permitiram extrair de forma mais eficiente a carne e o tutano dos restos de animais abatidos por predadores.

Sim, fomos predominantemente carniceiros até cerca de 400 mil anos, quando fizemos da caça, uma rotina.

O domínio do fogo há cerca de 1 milhão de anos atrás, foi fundamental na nossa evolução, tanto é que cerca de 200 mil anos depois, surge um outro espécime, com destacado aumento do volume cerebral, o Homo heidelbergensis, que deixaria a África e na Europa, daria origem ao Homo de Neanderthal, que terminaria por se extinguir na Europa.

Os indícios do cozimento de outros alimentos, começa a aparecer nos sítios arqueológicos, há cerca de 200 mil anos, coincidindo com o aparecimento da nossa espécie, o Homo sapiens.

A correlação do aumento do consumo de carnes e gorduras e desenvolvimento e manutenção de um volume cerebral aumentado, pouco encontra questionamentos na ciência.

Na África o Homo heidelbergensis, continuaria a evoluir para a nossa atual espécie, o Homo sapiens sapiens.

Do ponto de vista alimentar, eu destacaria que nossa principal vantagem, foi ampliar nosso leque de opções alimentares, seguindo a linha do onivorismo.

É fato que viemos em um processo de aumento gradual de consumo de produtos de origem animal, como carnes, vísceras e ovos, mas a coleta de frutos, encontrados de forma sazonal, assim como o mel, raízes, tubérculos, folhas, flores, sementes, nozes, castanhas, insetos, gomas (seivas doces de algumas árvores) e leguminosas, fizeram parte da nossa dieta.

Mas com qual e para qual proporção aproximada de macronutrientes nós evoluímos?

Um famoso artigo, intitulado “Paleolitic Nutrition” publicado em 1985, na revista médica de alto impacto, New England Medical Journal of Medicine, estimou em cerca de 35 a 45% no consumo médio de carboidratos.

Um artigo de 2010, fez algo muito interessante, analisou etnograficamente 229 povos caçadores coletores modernos e concluiu que a ingesta de carboidratos variava conforme a latitude, isto é, quanto mais longe da linha do Equador, ao norte ou ao sul, menos se consumia carboidrato.

Partindo do princípio que a região na qual nossa espécie nasceu e evoluiu até cerca de 60 a 70 mil anos atrás ficava na África oriental e que ela se situa entre 0 a 20 graus de latitude norte e que a estimativa de consumo médio de carboidratos nestas regiões, foi estimada entre 22 a 34 % de energia derivada de carboidratos, concluo que este é o padrão humano ancestral.

Se consideramos “low carb”, como uma ingesta aproximada de 50 a 130 g de carboidratos/dia, que em uma dieta de 2000 kcal, equivaleria há cerca de 10 a 25% do consumo de energia diário em carboidratos e que moderado em carboidratos estaríamos falando em >130 a 225 g ( 26 a 45%) no consumo de carbos, classificaríamos como low carb ou no máximo moderado em carbos.

Fato é que independente da classificação adotada, (pois existem outras) comparando com as recomendações nutricionais das principais sociedades de nutrição do mundo, incluindo a FAO e a OMS, que sugerem 55 a 75% do consumo de carbos para a população em geral, estaríamos hoje, consumindo uma dieta muito alta em carbos (“high carb”), se comparado com a nossa matriz nutricional.

Foram cerca de 2.6 milhões de anos, nos moldando nesse perfil e certamente não conseguimos nos adaptar perfeitamente as mudanças nutricionais implementadas com o domínio da agricultura e muito menos ainda com o aumento do consumo de alimentos refinados e processados desde a revolução industrial, há cerca de 200 mil anos atrás.

Para ampliar ainda mais o fosso que nos separa das nossas raízes alimentares, a introdução de novas técnicas agrícolas e de transgenia dos últimos 50 anos, nos permitiu um aumento exponencial na produção e consumo de grãos, em especial.

Não pretendo aqui esgotar o assunto, mas dar as BASES de uma dieta com a qual nossos corpos estão habilitados para lidar.

Fazendo assim, escolhendo “comida de verdade”, rejeitando alimentos ultraprocessados, reduzimos enormemente nossa chance de errar!

Bem vindos ao nosso portal de saúde!

 

Autor:

Dr. Eduardo Filgueiras Senra

Médico formado pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF-MG) em 1990
Especialização em clínica médica
Especialização e atual área de atuação em endocrinologia e metabologia

  

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