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A história de emagrecimento dos irmãos

Ralph Tacconi

Como praticante da alimentação natural, achei que deveria começar a minha participação no Portal contando um pouco mais da minha experiência.

Os textos sempre levarão dosagens de humor, sarcasmo, algum cinismo e muita ironia. Objetivo é fugir um pouco da área técnica e trazer experiências um pouco mais leves para o leitor. Também não é uma crítica a profissionais da nutrição, entendo que as diretrizes nutricionais atuais carecem de mais conteúdo e atualização para que os profissionais possam melhorar o seu relacionamento com o paciente e consequentemente, o seu tratamento.

Espero que gostem.

 

3 histórias: Numa erra, na outra aprende e depois conserta.

A história de emagrecimento dos irmãos.

Um tributo à alimentação natural.

 

****

 

A última vez que havia se pesado, o ponteiro da balança chegou a 107 quilos. Apesar de já ter pesado mais que isso, estava decidido, Ralph queria emagrecer. Não dava mais pra tentar dar uma de herói e achar que tudo estava ao seu controle. Precisava de ajuda. Profissional, portanto.

Dias depois, ao entrar no consultório da nutricionista, se surpreendeu: Talheres de todos os tipos e tamanhos pendurados ao redor da sala. Um cartaz enorme na parede, mostrava uma pirâmide com vários alimentos desenhados em seu interior. Ali estava o caminho para um peso saudável.

Empolgou-se mais ainda após o papo. Uma menina séria, dedicada e muito atenciosa explicou tudo que queria saber. Não restaram dúvidas.

Saiu de lá feliz, com um plano alimentar estabelecido. O mapa da mina. 3 folhas com tudo o que precisava para emagrecer.

A alimentação tinha que ser (no máximo) a cada 3 horas. Preferência aos alimentos integrais, carnes em pouca quantidade, sem fritura e gordura. Abusar das frutas e dos vegetais, estava permitido. Aqueles talheres que tinha visto, serviam de parâmetro para dosar as quantidades que se podia comer. Até ganhou alguns de presente.

Essa alimentação fracionada, segundo ela, fazia com que o metabolismo se mantivesse acelerado. A equação era lógica: O corpo estava sempre em processo digestivo. O processo digestivo consome energia do corpo. E energia é igual a caloria. Ou seja, queimava-se calorias 24 horas por dia.

“É uma questão matemática”, dizia ela. “É preciso gastar mais do que se consome, não tem complicação”.

A menina sabia das coisas. Fazia todo sentido.

Para auxiliá-lo, Ralph baixou um aplicativo no celular que contava calorias dos alimentos. Era uma “maravilha”! Cada alimento que ele punha no prato, registrava no celular imediatamente uma medida aproximada. E no fim do dia, nada o deixava mais feliz que a tela do seu smartphone mostrar-lhe que havia um saldo positivo da diferença entre calorias gastas e consumidas.

Seguia à risca o plano da moça. E funcionou.

Só tinha um problema. “Pequeno”, mas que incomodava: A fome.

Ralph tinha muita fome. Ficava contando no relógio o vencimento da terceira hora pra comer algum lanchinho. Era prático, é verdade. Hoje, a indústria de alimentos “ajuda” muito quem quer se manter saudável. Não faltam nas prateleiras opções para os lanches. Todos saborosos e “nutritivos”.

E nas refeições grandes, se esbaldava. Arroz ou macarrão integral, uma colher de feijão, um filé de peito frango grelhado e bastante salada.

Acabava a refeição e já pensava na próxima. Em pouco tempo, sentia fome.

Dava uma enrolada – como se desse pra esquecer – mas assim foi, com algum sofrimento. Mas emagrecia, afinal, era isso que importava.

Sentia-se um pouco fraco. Deve ser porque pessoas magras são fracas, pensava. Chegou a passar mal numa reunião de trabalho por ter passado do horário estipulado do lanche e não ter como sair pra comer. Começou a suar, tinha colocado tudo a perder, imaginou.

Mas o peso continuava a cair, semana a semana. Viva!

Em um dos retornos à nutri, uma coisa linda aconteceu: Por estar sendo bastante disciplinado, ela quis presenteá-lo. Pediu que escolhesse um alimento qual teria muita vontade de consumir, mas que não estava no plano.

Ralph escolheu amendoim. Foi atendido e, a partir daquele dia, poderia comer 2 colheres de grãos de amendoim uma vez por semana. Ficou bem contente porém teve pena de quem, na mesma chance, tivesse optado por Traquinas. Preveu que essa pessoa ia comer só a tampinha da bolacha uma vez a cada 10 dias.

E assim foi, Ralph chegou no peso que queria. Emagreceu 47 quilos.

A fisionomia não era boa, diziam. Aspecto de doente, estranho. Ele ouviu de tudo, mas não ligou.

Estava magro. Objetivo alcançado, enfim.

 

****

 

Algum tempo passou e tudo continuou igual. Refeições fracionadas, fome, fraqueza, alguns piripaques. Entretanto, Ralph mantinha-se magro.

Certa noite, ouvindo um “podcast” sobre corrida, Ralph ouviu um tal Dr. Souto falar sobre nutrição.

Aquele papo do médico lhe fez relembrar uma conversa informal que tivera na faculdade com o professor de bioquímica nos idos de 2003. No intervalo de uma aula de metabolismo de alguma coisa, o mestre comentou que houve, em certa época, um senhor meio louco chamado Atkins que desenvolveu uma teoria de alimentação com ingestão de baixo carboidrato. Isso fazia com que o corpo acelerasse a queima de gordura e a pessoa consequentemente perdesse peso. Entretanto, a teoria do velho doido caiu por terra depois que o próprio cientista morreu após um escorregão na rua, onde teria batido a cabeça fatalmente. O laudo: Fraqueza.

Portanto, segundo o professor, a teoria do Dr. Atkins não funcionou, pois uma dieta com ingestão de baixo carboidrato até emagrece, porém resulta em uma falta constante de energia.

Mas a conversa do Dr. Souto no rádio do carro intrigou Ralph. O médico falava da insulina, glicose, glicogênio, processos bioquímicos e fisiológicos. Nunca as coisas começaram a ficar tão encaixadas e óbvias.

O doutor começou a convencer-lhe que comer a cada x horas, sentir fome e fraqueza a todo momento não era condizente com a evolução da nossa raça e da nossa programação genética, e que de fato, aquilo não era normal. Os alimentos industrializados te fazem muito mais mal do que você imagina, sentenciava o médico. Seria subestimar a complexidade do corpo humano, por exemplo, achar que ele processa 100 calorias de brócolis da mesma forma que processa 100 calorias de brigadeiro. Não é matemática como dizem alguns. É física, é biologia.

-Sim, Dr Souto. Elementar. Como não percebi antes? – pensou alto Ralph.

Algo estava MUITO errado naquele plano perfeito que Ralph executou com tanta disciplina há pouco tempo. Maravilhado e endoidecido, ele começou a estudar. Mergulhou de cabeça nesse mundo. Leu 1, 2, 3, vários livros indicados pelo site do doutor.

Ah, e descobriu também, que o tal velho maluco, não era tão maluco assim. As teorias do Dr Atkins viraram base de dezenas de estudos do metabolismo nutricional até hoje. O vovô estava à frente do seu tempo, comprova-se a cada dia.

Ralph mudou a alimentação, deu adeus às regras. Contar calorias, nunca mais.

Ganhou algum peso, não necessariamente gordura, ficou mais forte e a fome cessou.

Tudo melhorou. Tudo mesmo.

Aquele aspecto de antes, apenas nos álbuns de fotografia.

Estava magro e saudável. Objetivo alcançado, enfim.

 

****

 

A última vez que havia se pesado, o ponteiro da balança passava de 110 quilos.

Apesar de já ter pesado mais que isso, estava decidido, Oliver queria emagrecer.

Mas não sabia como. Algumas dúvidas e uma certa dose de preguiça o impediam de começar.

Certa vez, estava em uma reunião de família quando ouviu seu irmão Ralph dizer sobre um livro que acabara de ler e que, há algum tempo, estava entendendo a nutrição humana com a “mente um pouco mais aberta”.

O livro em questão se chamava “Barriga de Trigo”. Escrito por um cardiologista americano chamado William Davis. Nesse livro, como o título sugere, o autor explica todos os malefícios de se manter uma dieta baseada naquele cereal e seus derivados.

Oliver não quis ler o livro, mas se interessou pela conversa, afinal, seu irmão era um ex-obeso que tinha perdido muito peso há pouco tempo e enxergara nele a possibilidade de seguir o mesmo caminho. Pediu ajuda nos primeiros passos e disse que iria começar a fazer a tal dieta “pra ver no que vai dar”.

– Não coma nada que tenha embalagem, coma planta e bicho até a saciedade. Não fique com fome, isso é importante. Tem fome, come. – disse Ralph.

Os assuntos se desviaram aquele dia, mas Oliver, antes de ir embora e depois de comer mais uma fatia de bolo de chocolate que estava sobre a mesa, disse com a boca cheia de açúcar:

– Vou fazer a parada lá hein. Me aguarde.

Não há necessidade de dizer o que irmão pensou na hora.

 

Durante a semana, o Whatsapp do Ralph, para sua surpresa, recebe uma mensagem do irmão:

– Posso comer cenoura?

Naquela gentileza habitual de relacionamento entre irmãos, Ralph responde:

– Cenoura é “planta ou bicho”? – insiste o irmão.

– Sim.

– Então come. Doritos é “planta ou bicho”?

– Não.

– Então não come. Tão simples quanto isso.

 

Os dias passaram. As perguntas começaram a ficar mais refinadas e com receio da monotonia alimentar e uma possível desistência, Ralph começou a explicar um pouco melhor.

Apesar de contraditório ao papo de origem, Ralph disse que Oliver, se quisesse, poderia comer queijos, usar adoçantes, tomar vinhos. Sem paranóias. A ortorexia é uma doença, insistia.

– Evite tubérculos e grãos. Exclua totalmente derivados do trigo e açúcar – repetia como um mantra a cada zap recebido.

 

Passaram-se alguns dias, semanas talvez.

Ralph recebe nova mensagem:

– Cara, tô preocupado.

– O que foi?

– Não tenho fome. Tenho chegado em casa às 10 da noite. E pra não dormir sem nada no estômago, como uns pedacinhos de queijo pra enganar. Mas sem vontade nenhuma. No outro dia, acordo tomo um iogurte e só vou comer lá pras 2 da tarde. Praticamente faço uma refeição por dia. Não é perigoso?

– Bem vindo de volta ao seu mundo, meu caro. Você voltou a ser um representante da sua raça. Foi assim que evoluímos. – Respondeu o irmão transbordando de orgulho.

 

Oliver emagreceu 38 quilos. Sem absolutamente nenhum esforço. Se você ouvi-lo contar, não vai acreditar. E ainda toma sua cervejinha de final de semana. Não se abstém. Não come doces, não come pães. Não tem vontade. É avesso a holofotes, é discreto. Sem likes e sem “antes” e “depois”, vive feliz da vida, com peso mantido há mais de 2 anos.

Calorias? Nunca contou.

E quando recebe a visita do irmão em sua casa, vem logo com um pote de amendoim como aperitivo. Nunca medimos, mas Ralph tem certeza que é bem mais que as duas colheres oferecidas como presente tempos atrás.

 

Irmãos magros e saudáveis. Objetivo alcançado, enfim.

 

Autor:

Ralph Tacconi

  

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